Ibovespa registra maior alta diária em meses e dólar tem forte recuo com cenário externo favorável.
O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte otimismo nesta quarta-feira (21), com a **bolsa de valores brasileira registrando sua maior alta diária desde abril de 2023**. O índice Ibovespa não apenas bateu recordes intraday, mas também se aproximou da marca psicológica dos 172 mil pontos, impulsionado por um expressivo ingresso de capital estrangeiro.
No mesmo dia, a moeda americana sofreu um revés significativo, com o **dólar recuando mais de 1%** e atingindo seu menor patamar desde o início de dezembro. Essa dinâmica positiva nos mercados domésticos reflete um alívio nas tensões externas, que vinham gerando apreensão.
O cenário favorável foi influenciado, em grande parte, por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que moderou seu discurso em relação a tarifas e disputas geopolíticas. Conforme informações divulgadas pela Reuters, o recuo nas tensões globais contribuiu para um maior apetite por risco dos investidores.
Ibovespa renova recordes e atinge 171.817 pontos
O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão da quarta-feira com uma **valorização expressiva de 3,33%**, atingindo 171.817 pontos. Durante o dia, o índice superou, pela primeira vez, os patamares de 167 mil e 171 mil pontos, demonstrando uma trajetória de alta consistente desde a abertura dos negócios.
O volume financeiro negociado somou R$ 43,3 bilhões, um valor consideravelmente acima da média diária recente, o que sinaliza um **aumento significativo no apetite por risco** por parte dos investidores. Em 2024, o Ibovespa já acumula uma alta de 6,6%, com uma entrada líquida de R$ 7,6 bilhões de investidores estrangeiros até meados de janeiro.
Dólar em queda livre: moeda americana atinge menor nível desde dezembro
No mercado de câmbio, o dólar à vista apresentou uma queda de R$ 0,061, representando **1,1% de desvalorização**, e encerrou o dia cotado a R$ 5,321. A moeda operou em baixa durante toda a sessão, mas intensificou sua queda no período da tarde, impulsionada pelas notícias vindas dos Estados Unidos.
A decisão de Donald Trump de **recuar da imposição de tarifas à União Europeia** foi um dos fatores cruciais para o recuo da divisa. O dólar americano está agora em seu menor patamar desde 4 de dezembro, véspera do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro às eleições presidenciais. No acumulado de 2024, a moeda já cai 3,06%.
Fluxo de capitais e juros americanos impulsionam mercado
Além do enfraquecimento do dólar frente a moedas emergentes, o **fluxo positivo de capitais para o Brasil** tem sido um forte sustentáculo para o mercado financeiro. Dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira revelam que o país registrou uma entrada líquida de US$ 1,54 bilhão em janeiro, até o dia 16, impulsionada principalmente pela via financeira.
A **redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano**, considerados investimentos de baixo risco, também contribuiu para aliviar a pressão sobre o câmbio, aumentando a oferta de dólares no mercado doméstico. Juros mais baixos em economias desenvolvidas tendem a estimular a migração de capitais para países emergentes, como o Brasil, buscando maior rentabilidade.
Notícias negativas pontuais não abalam otimismo
Apesar do cenário geral positivo, o mercado também reagiu à notícia da liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master. Embora a decisão tenha reforçado a atenção dos investidores para a saúde do setor financeiro, ela **não influenciou negativamente o preço dos ativos** nem interferiu no humor otimista predominante no mercado.