Boi de Rua do Caprichoso: Emoção Azul e Branco Toma Parintins em Cortejo Tradicional Pré-Festival 2026
Parintins, AM – A Ilha Tupinambarana se vestiu de azul e branco na noite de sábado (20) e madrugada de domingo (21) para o tradicional Boi de Rua do Caprichoso. Antes mesmo da abertura oficial do Festival de Parintins 2026, uma multidão de torcedores tomou as ruas em um cortejo que celebrou a paixão pelo bumbá.
A manifestação, criada em 2001 com o objetivo de “devolver o boi ao povo”, se tornou um dos momentos mais aguardados que antecedem as apresentações no Bumbódromo. A celebração deste ano foi marcada por emoção, reencontros e a reafirmação da forte identidade azulada.
Conforme informação divulgada pelo g1, o evento reuniu torcedores de diversas gerações, demonstrando a força da tradição do Caprichoso. A festa nas ruas antecipou a energia do festival, aquecendo os corações para a disputa que se aproxima.
Paixão que se renova a cada ano
Morador do bairro da Francesa, Robson Valente, 52 anos, acompanhou o cortejo em frente à sua casa na Rua Sá Peixoto, um reduto tradicional do Caprichoso. Ele ressaltou que a emoção do Boi de Rua se intensifica a cada edição.
“Todo ano é uma emoção diferente. Eu sempre falo, tenho 52 anos e são 52 anos vivendo isso. A emoção todo ano muda, basicamente aumenta mais a paixão, mais o amor pelo Caprichoso. Aqui é Caprichoso, aqui é Sá Peixoto, aqui é o reduto azul e branco. É uma satisfação imensa”, declarou Robson, cuja família tem forte ligação com o bumbá.
Ele também expressou a expectativa para o Festival de Parintins 2026, destacando o compromisso do bumbá com a cultura popular. “A expectativa sempre é grande. Nosso boi sempre vem bonito. Mesmo que a gente perca, a gente sempre procura fazer o melhor espetáculo para todos os visitantes, porque o nosso boi tem compromisso com a cultura, o nosso boi tem compromisso com o Festival de Parintins”, afirmou.
Reencontros e memórias no cortejo azul
O Boi de Rua também proporcionou momentos de reencontro e memórias afetivas. Marconi Barbosa, 48 anos, natural de Manaus, retornou a Parintins após nove anos. Ele morou na ilha por duas décadas e trabalhou nos bastidores do boi-bumbá e do carnaval local.
Desta vez, Marconi voltou acompanhado dos filhos para apresentar a eles a tradição que marcou sua vida. “Viver tudo isso aqui é trazer o passado de volta. É um presente para mim, porque vivi muita coisa aqui. Trabalhei em boi, trabalhei em carnaval, e o Boi de Rua reacendeu de novo aquele momento lá atrás”, disse.
“É muito satisfatório viver tudo isso de novo. Quando saí daqui eu não tinha filhos e hoje voltei com dois. Trazer a minha família é reacender uma cultura que vivi no passado, fazer meus filhos conhecerem o que é o boi-bumbá, o que é o folclore e essa tradição de viver o boi azul”, completou.
Um verdadeiro bumbódromo a céu aberto
O trajeto oficial do Boi de Rua começou com concentração às 20h na Avenida Senador José Esteves, partindo da Rua Sá Peixoto. O público seguiu o ritmo da Marujada de Guerra, transformando as ruas em um autêntico bumbódromo a céu aberto.
Os percursos se uniram na Avenida Amazonas e seguiram pela Rua Cordovil até a Avenida Nações Unidas. Lá, torcedores e itens oficiais celebraram mais uma edição do Boi de Rua, aquecendo os tambores para a disputa do Festival de Parintins 2026.
O cortejo, que reuniu crianças nos ombros dos pais, famílias inteiras e torcedores de diversas cidades, demonstrou que o Boi de Rua vai além da preparação para o festival, sendo uma celebração da identidade azulada e da profunda conexão entre o Caprichoso e seu povo.