Israel intensifica ataques em Beirute, Líbano, provocando terror e destruição em bairros densamente povoados. A ofensiva, que já deixou 12 mortos, incluindo um dirigente de canal ligado ao Hezbollah, levanta temores de uma guerra regional mais ampla.
O centro de Beirute foi palco de ataques aéreos israelenses nesta quarta-feira, mergulhando a capital libanesa em um clima de medo e desespero. Três bairros densamente povoados, incluindo áreas próximas à sede do governo, foram atingidos, resultando em mortes e destruição generalizada.
Entre as vítimas fatais está Mohammed Cherri, diretor de programas políticos da emissora Al-Manar, ligada ao Hezbollah. Ele morreu junto com sua esposa em um bombardeio que atingiu seu prédio residencial no bairro de Zokak al-Blatt, deixando filhos e netos feridos, conforme comunicado do canal.
A força dos ataques é descrita por moradores como aterrorizante. Edifícios desabaram, ruas ficaram cobertas de destroços e nuvens de cinza pairavam no ar. A população vive sob o constante zumbido de drones israelenses e o medo de novos bombardeios, que ocorrem a cada poucas horas em diferentes pontos da cidade.
Moradores relatam terror e exaustão em meio à escalada de violência
Sarah Saleh, 29 anos, deslocada da periferia sul de Beirute, descreveu a experiência de ter que fugir de sua casa em meio à noite. “Eram quatro da manhã, estávamos dormindo”, contou à AFP. “Saímos correndo de pijama e fomos para uma praça no centro da cidade.” Ela agora se abriga em uma escola adaptada como centro de acolhimento.
Haidar, de 68 anos, um comerciante local, expressou o pânico vivido por sua família. “Quando não há aviso, é muito difícil”, disse, relatando que sua esposa buscou abrigo em outro local após o bairro ser atingido repetidamente. A sensação é de exaustão e impotência diante da violência.
“Mal conseguimos falar, estamos exaustos”, desabafou Zainab, 65 anos. Ela descreveu o bombardeio como “muito forte, como se estivesse acontecendo sobre nossas cabeças”. O medo é constante, com ataques ocorrendo a cada uma ou duas horas. “Mas para onde deveríamos ir?”, questiona.
Israel mira infraestrutura e anuncia planos para isolar o sul do Líbano
Em paralelo aos ataques em Beirute, o Exército israelense anunciou planos para destruir pontes que conectam o sul do Líbano ao restante do país. O objetivo é interromper qualquer apoio militar ao Hezbollah, grupo considerado pela Israel como pró-Irã. A população foi orientada a evacuar áreas ao sul do rio Litani.
A cidade milenar de Tiro, Patrimônio Mundial da UNESCO, também foi alvo de ordem de evacuação israelense, gerando pânico e a fuga de centenas de famílias. Em Saída, um ataque a um carro matou duas pessoas, incluindo um socorrista.
O leste do Líbano, considerado reduto do Hezbollah, também sofreu bombardeios. Quatro pessoas morreram em Baalbek e outras quatro em Yohmor, segundo a agência oficial de notícias. Um prédio residencial em Baalbek foi completamente destruído.
Hezbollah responde com ataques contra o norte de Israel
A escalada de violência ocorre após o Hezbollah ter arrastado o Líbano para a guerra regional com o Irã em 2 de março, lançando ataques contra Israel. Em resposta, Israel iniciou uma ampla campanha de bombardeios aéreos.
Desde o início dos confrontos, pelo menos 912 pessoas morreram no Líbano, incluindo 111 crianças, e mais de um milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas. O Hezbollah, por sua vez, afirmou ter lançado uma grande onda de ataques contra o norte de Israel, utilizando foguetes e mísseis sofisticados.
As operações terrestres limitadas de Israel no sul do Líbano, anunciadas na segunda-feira, aumentam a preocupação com uma possível expansão do conflito. A situação humanitária no Líbano é crítica, com a população vivendo sob constante ameaça e destruição.