União Europeia se prepara para guerra comercial com os EUA: a “bazuca” de Macron contra Trump
A União Europeia (UE) está em alerta máximo. O presidente francês, Emmanuel Macron, solicitou a ativação do Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI), apelidado de “bazuca comercial”, como resposta às ameaças de Donald Trump de impor tarifas aos países europeus que se opõem à anexação da Groenlândia pelos EUA.
Trump anunciou que imporá tarifas de 10% a produtos de oito países europeus, incluindo França e Dinamarca, a partir de fevereiro, elevando para 25% em junho, caso não concordem em vender a ilha ártica. Essa medida é vista pela UE como uma tentativa inaceitável de coerção econômica.
A “bazuca comercial” da UE, aprovada em 2023, visa dissuadir países terceiros de exercerem medidas coercitivas contra os interesses da União e permite a aplicação de medidas retaliatórias. A informação foi divulgada pelo Parlamento Europeu.
O que é a “bazuca comercial” da UE e como funciona?
O Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI) é uma ferramenta poderosa criada pela União Europeia para se defender de pressões comerciais e sanções impostas por outros países. Seu principal objetivo é desencorajar qualquer nação de tentar pressionar a UE ou um de seus Estados-membros a tomar decisões específicas através de ameaças ou aplicação de medidas que afetem o comércio e o investimento.
Em caso de ameaça ou coerção, o ACI permite que a UE aplique medidas retaliatórias. Essas medidas podem incluir a imposição de tarifas adicionais sobre importações, restrições a licenças de exportação e importação, limitações ao comércio de serviços, e até mesmo impedimentos para que empresas de um país terceiro comprem ações de empresas europeias ou participem de licitações públicas.
Como a “bazuca comercial” pode afetar os EUA?
Se o pedido de Macron for aprovado, a UE poderá ir além de impor tarifas sobre produtos americanos. Empresas dos Estados Unidos poderiam ser impedidas de comprar ações de companhias de qualquer um dos 27 Estados-Membros da UE, de receber financiamento público ou privado, e de participar em licitações para contratos públicos. Além disso, a UE poderia exigir reparações financeiras do país causador da coerção.
A possibilidade de o ACI ser ativado surge em um momento de alta tensão nas relações comerciais transatlânticas. O comércio entre a UE e os EUA é robusto, totalizando US$ 1,8 trilhão em 2023, com cerca de US$ 5 bilhões em bens e serviços trocados diariamente. A ativação da “bazuca comercial” poderia ter um impacto significativo nessa relação econômica.
A “bazuca comercial” e o histórico de tensões com Trump
A UE começou a desenvolver o ACI após o primeiro mandato de Donald Trump, período marcado por diversos atritos comerciais. Um incidente em 2021 com a Lituânia, que sofreu restrições comerciais da China após aproximar-se de Taiwan, foi um catalisador importante para a aprovação final do instrumento. A UE argumentou que a “coerção” não era coberta pelos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na época em que Trump lançou sua guerra tarifária global contra a UE, a possibilidade de usar o ACI foi considerada, mas a União optou pelo diálogo. Agora, diante das novas ameaças relacionadas à Groenlândia, a “bazuca comercial” surge como uma opção mais contundente.
Líderes europeus buscam diálogo, mas preparam-se para o confronto
Embora o presidente francês e o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, tenham sinalizado a disponibilidade do ACI, outros líderes europeus, como o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Stoke, pedem cautela para evitar uma guerra comercial generalizada. A diplomacia ainda é a via preferencial, mas a UE demonstra estar preparada para uma resposta firme caso as negociações falhem.
Os embaixadores dos 27 países da UE se reuniram de emergência para discutir a situação e definir os próximos passos, evidenciando a seriedade com que o bloco trata as ameaças americanas. O futuro das relações comerciais transatlânticas pode depender da eficácia da “bazuca comercial” da UE.