Faltam Pesquisadores Científicos na Gestão Tarcísio de Freitas em São Paulo, Diz Associação

Um levantamento recente da Associação dos Pesquisadores Científicos (APqC) lança um alerta sobre a situação dos pesquisadores científicos na Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. Os dados indicam um déficit significativo de profissionais em áreas cruciais para o monitoramento e enfrentamento de desafios ambientais.

Segundo a APqC, a pasta conta atualmente com 123 pesquisadores em ação, mas possui outras 158 vagas que permanecem sem preenchimento. Essas informações foram compiladas a partir de publicações no Diário Oficial, revelando um cenário preocupante para a pesquisa científica no estado. A gravidade da situação é acentuada pela presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens, que também é pesquisadora do Instituto Florestal.

Lutgens destaca que a falta de pessoal ocorre em um momento crítico, com os reservatórios de água apresentando níveis inferiores aos registrados durante a crise hídrica de 2014. A situação é ainda mais alarmante diante das mudanças climáticas e da necessidade de ações baseadas em ciência para garantir a segurança hídrica e a prevenção de desastres naturais. Conforme apurado pela APqC, o governo Tarcísio rebate o levantamento, afirmando que a pasta reúne 144 pesquisadores, com 166 cargos vagos.

Impacto da Falta de Pesquisadores em Áreas Essenciais

Os servidores que atuam na secretaria desempenham funções vitais em laboratórios de botânica e geologia. Eles são responsáveis por conduzir pesquisas fundamentais sobre o clima, a disponibilidade de recursos hídricos e a elaboração de mapas de risco. Estes mapas são ferramentas essenciais para o planejamento e a implementação de medidas de enfrentamento a enchentes e deslizamentos de encostas, eventos que se tornam mais frequentes e intensos com as alterações climáticas.

A presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens, expressou profunda preocupação com o descaso que, segundo ela, tem se agravado ao longo dos anos. Essa fragilização da pesquisa científica, alerta, expõe a sociedade a um verdadeiro “apagão científico”, especialmente em um contexto de emergência climática. A escassez hídrica, intensificada por períodos prolongados de estiagem e pela mudança no regime de chuvas, exige um conhecimento científico robusto para ser adequadamente gerenciada.

Posição do Governo e Planos Futuros

Em resposta às críticas, a gestão Tarcísio de Freitas informou que reestruturou a carreira de pesquisador em outubro de 2025, com o objetivo de torná-la mais atrativa. A secretaria também está estudando a possibilidade de realizar novos concursos públicos para preencher as vagas existentes. O governo afirma que o último concurso para pesquisadores foi realizado há mais de 20 anos, em 2005, o que agrava o problema.

A pasta ambiental paulista declarou que o objetivo é preencher 98 vagas em áreas consideradas prioritárias, como biodiversidade, recursos hídricos e mudanças climáticas. Há uma previsão de publicação do edital para estes concursos ainda em 2026. Além disso, o governo ressalta que, para além dos servidores diretos, a secretaria conta com parcerias estabelecidas com instituições de outros estados e com universidades renomadas, como a USP e a UFSCar, para complementar suas ações de pesquisa.

A Urgência da Ciência para o Futuro de São Paulo

A carência de pesquisadores científicos na gestão pública de São Paulo levanta sérias questões sobre a capacidade do estado em lidar com os desafios ambientais e climáticos atuais e futuros. A pesquisa científica é a base para a tomada de decisões informadas e para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes. A falta de investimento e de pessoal qualificado pode comprometer a segurança hídrica, a prevenção de desastres e a preservação da biodiversidade.

A APqC reforça a necessidade de um compromisso contínuo com a ciência e a pesquisa, garantindo que os órgãos governamentais contem com o quadro de pessoal adequado para responder às demandas da sociedade. A situação atual demanda atenção e ações concretas para reverter o quadro de defasagem e fortalecer a capacidade científica do estado de São Paulo.

Análise dos Dados e Controvérsias

A discrepância entre os números apresentados pela APqC e pelo governo estadual evidencia a complexidade da apuração de dados em órgãos públicos. Enquanto a associação aponta 158 vagas em aberto, a secretaria menciona 166. Essa diferença, embora não substancial em termos percentuais, reflete a importância de um diálogo transparente e de metodologias claras na divulgação de informações oficiais. A situação, contudo, é unânime quanto à existência de um número considerável de cargos vagos.

A demanda por pesquisadores em áreas como biodiversidade e recursos hídricos é crescente, impulsionada pela necessidade de adaptação às mudanças climáticas. A falta de profissionais qualificados pode atrasar a implementação de projetos de conservação, a gestão sustentável dos recursos naturais e a resposta a emergências ambientais, impactando diretamente a qualidade de vida dos cidadãos paulistas.