Arquivos de Epstein Revelam Conexões de Bilionários e Figuras Poderosas: Gates, Musk e Trump Citados

Milhões de documentos relacionados a Jeffrey Epstein foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA na última semana, ampliando a lista de pessoas ricas e poderosas com conexões ao bilionário criminoso sexual. A nova leva de informações, denominada arquivos Epstein, inclui três milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos.

Entre os nomes proeminentes que surgiram nesta divulgação estão Richard Branson, Bill Gates e Elon Musk. É importante notar que a aparição nos documentos não implica necessariamente qualquer irregularidade, e muitas pessoas mencionadas em divulgações anteriores já negaram envolvimento com os crimes de Epstein.

A divulgação ocorre semanas após o prazo estabelecido pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. Parlamentares americanos expressaram preocupação de que o governo ainda possa estar retendo documentos adicionais. Conforme divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, a lista de indivíduos conectados a Epstein continua a crescer, revelando um intrincado círculo de influências.

Elon Musk e a Ilha de Epstein

Os documentos revelam trocas de e-mails entre Jeffrey Epstein e o bilionário da tecnologia Elon Musk. As mensagens, datadas de 2012, discutem planos de viagem e a organização de festas na ilha particular de Epstein. Musk chegou a perguntar em um e-mail: “Qual será o dia/noite da festa mais animada na sua ilha?” e expressou o desejo de “curtir a noite em St. Barts ou em outro lugar e me divertir”, o oposto de uma “experiência tranquila em uma ilha”.

Em resposta a essas divulgações, Elon Musk se manifestou em sua plataforma X em janeiro, reconhecendo que os e-mails poderiam ser usados para “difamar meu nome”. Ele declarou estar mais preocupado com o processo contra “aqueles que cometeram crimes graves com Epstein”. Musk negou ter visitado a ilha particular do criminoso sexual.

Alegações Contra Bill Gates nos Arquivos

Dois e-mails de julho de 2013, supostamente escritos por Epstein, levantam alegações sobre Bill Gates. Embora a autenticidade e o envio dos e-mails não sejam claros, um deles é apresentado como uma carta de demissão da Fundação Bill e Melinda Gates, alegando que Epstein tinha que providenciar medicamentos para Gates “para lidar com as consequências do sexo com garotas russas”.

Outro e-mail, dirigido a “Caro Bill”, sugere que Gates encerrou a amizade e faz alegações de que o fundador da Microsoft tentou encobrir uma infecção sexualmente transmissível, inclusive de sua então esposa, Melinda. Em entrevista à NPR, Melinda Gates comentou que a divulgação dos documentos reacendeu lembranças de seus problemas conjugais, expressando preocupação com as vítimas e esperança por justiça.

Um porta-voz de Bill Gates refutou veementemente as alegações, descrevendo-as como “absolutamente absurdas e completamente falsas”, atribuindo-as a “um mentiroso comprovadamente ressentido”.

Donald Trump e as Acusações Não Verificadas

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é mencionado centenas de vezes nos arquivos recém-divulgados. Uma lista compilada pelo FBI no ano passado inclui alegações feitas contra Trump por pessoas que contataram a linha direta do Centro Nacional de Operações contra Ameaças. Muitas dessas alegações parecem basear-se em denúncias não verificadas.

A lista abrange inúmeras alegações de abuso sexual contra Trump, Epstein e outras figuras proeminentes. Trump, por sua vez, sempre negou qualquer irregularidade em relação a Epstein, com quem afirma ter rompido relações há décadas. Ele não foi acusado de nenhum crime pelas vítimas de Epstein.

Outras Personalidades Citadas nos Arquivos de Epstein

A divulgação também incluiu fotografias que parecem mostrar o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor em situações comprometedoras. Fotografias de Andrew ajoelhado sobre uma mulher foram incluídas, sem contexto ou datação clara. O ex-príncipe negou repetidamente qualquer irregularidade.

Richard Branson teve interações registradas com Epstein, incluindo um e-mail de 2013 onde Epstein agradece a hospitalidade e conselhos de relações públicas. Branson respondeu de forma jocosa sobre trazer seu “harém”, o que o Grupo Virgin esclareceu referir-se a três membros adultos da equipe de Epstein. O Grupo Virgin afirmou que o contato de Branson com Epstein ocorreu “apenas em algumas ocasiões, há mais de doze anos” e que, após diligência, a Virgin Unite não aceitou uma doação de Epstein e Richard decidiu não mais se encontrar com ele.

Sarah Ferguson, ex-esposa do príncipe Andrew, também é mencionada em e-mails, com uma comunicação sugerindo que ela poderia afirmar não ser pedófila. Em outra troca, ela se refere a Epstein como um “amigo espetacular e especial” e uma “lenda”. Os e-mails não indicam irregularidade por parte de Ferguson.

Lord Peter Mandelson, ex-embaixador britânico, teve pagamentos de US$ 75 mil (aproximadamente R$ 390 mil) direcionados a contas ligadas a ele e seu marido, Reinaldo Avila da Silva, conforme extratos bancários divulgados. A Polícia Metropolitana de Londres investigou Mandelson por alegações de repassar informações sensíveis ao mercado a Epstein. Mandelson expressou arrependimento por ter conhecido Epstein e mantido a associação após a condenação do financista, mas reiterou não ter sido cúmplice de seus crimes.

Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump, trocou mensagens com Epstein em 2018 e 2019. As conversas sugerem uma estratégia para “mudar a narrativa” em torno dos crimes de Epstein e “reconstruir sua imagem como filantropo”. Bannon não respondeu aos pedidos de comentário.

Miroslav Lajčák, ex-ministro das Relações Exteriores da Eslováquia, teve mensagens divulgadas onde flerta com a ideia de se envolver em atividades ilícitas com Epstein, referindo-se a “jogos” e a “garotas”. Lajčák renunciou ao cargo de conselheiro de segurança nacional da Eslováquia após a divulgação dos documentos, mas não é acusado de irregularidade.

Howard Lutnick, secretário do Departamento de Comércio dos EUA, e sua esposa planejaram uma visita à ilha de Epstein, conforme e-mails de 2012. O Departamento de Comércio afirmou que as interações de Lutnick com Epstein foram limitadas e nunca foi acusado de irregularidades.

Larry Summers, ex-secretário do Tesouro, e ex-presidente de Harvard, também aparece nos documentos, com referências a reuniões e críticas a Trump em troca de e-mails com Epstein. Summers assumiu total responsabilidade por sua “decisão equivocada de continuar me comunicando com o senhor Epstein” e renunciou a vários cargos.

Steve Tisch, coproprietário do New York Giants, é mencionado em conversas sobre mulheres na casa de Epstein, com Epstein oferecendo um “presente” e descrevendo uma mulher exótica. Tisch declarou ter tido uma “relação breve” com Epstein e que não aceitou seus convites nem visitou sua ilha.

Brett Ratner, diretor de cinema, aparece em uma foto abraçando uma jovem nos arquivos, ao lado de Epstein e duas mulheres. Não há indícios de irregularidade nos arquivos em relação a Ratner.

Peter Attia, influenciador antienvelhecimento, trocou centenas de e-mails com Epstein, incluindo comentários grosseiros e piadas sobre anatomia feminina e atos sexuais. Attia negou estar “envolvido em qualquer atividade criminosa” e afirmou nunca ter estado no avião, na ilha ou em festas sexuais de Epstein.

Casey Wasserman, presidente dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, enviou e-mails flertando com Ghislaine Maxwell, associada de Epstein. Wasserman lamentou profundamente sua correspondência, que ocorreu há mais de duas décadas, antes que os crimes de Maxwell viessem à tona.

Sergey Brin, cofundador do Google, visitou a ilha particular de Epstein e planejou jantares em Nova York, de acordo com os documentos. Ele também trocou mensagens com Ghislaine Maxwell, que o convidava para jantares e exibições de filmes. Não há indícios de irregularidade nos e-mails de Brin.

Ehud Barak, ex-primeiro-ministro israelense, trocou mensagens com Epstein em várias ocasiões após a condenação deste em 2008, incluindo planos para se hospedar na residência de Epstein em Nova York em 2017. Barak reconheceu suas interações com Epstein, mas afirmou nunca ter observado ou participado de qualquer comportamento inapropriado.