CGT convoca greve geral de 24 horas contra reforma trabalhista de Javier Milei, gerando tensão política e social na Argentina.

A principal central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), anunciou nesta segunda-feira (16) a convocação de uma greve geral de 24 horas em todo o país. A paralisação visa protestar contra o projeto de reforma trabalhista proposto pelo presidente Javier Milei, que já foi aprovado pelo Senado e agora aguarda análise na Câmara dos Deputados.

A decisão dos sindicatos aumenta significativamente a tensão entre o governo e as entidades trabalhistas, que possuem forte influência política na Argentina. A expectativa é que a greve aconteça assim que a Câmara dos Deputados iniciar o debate da proposta, previsto para ocorrer antes do final de fevereiro.

Segundo a CGT, a greve geral não contará com atos públicos ou mobilizações nas ruas, focando apenas na interrupção das atividades laborais. A ação sindical demonstra a forte oposição à reforma, considerada por muitos como um retrocesso em direitos históricos dos trabalhadores argentinos. Acompanhe os desdobramentos desta importante disputa.

Reforma Trabalhista Aprovada no Senado e Próximos Passos

O projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei obteve aprovação do Senado na madrugada da última quinta-feira (12), com o placar de 42 votos a favor e 30 contra. Agora, o texto segue para a análise da Câmara dos Deputados, onde espera-se que seja votado em plenário até o dia 25 de fevereiro, com possibilidade de aprovação até 1º de março, data em que Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Congresso.

Esta reforma é vista como uma das mais significativas mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, pois revisa regras que, em sua maioria, datam dos anos 1970. O governo argentino defende que as medidas são cruciais para a estabilização macroeconômica e para o estímulo ao emprego e ao investimento no país.

Tensões e Confrontos Marcam o Debate da Reforma

A votação da reforma no Senado foi marcada por um clima de intensa tensão política e social. Na quarta-feira (11), manifestantes contrários à proposta entraram em confronto com a polícia nas ruas de Buenos Aires, evidenciando a polarização em torno das mudanças. Sindicatos e partidos de oposição argumentam que a reforma fragiliza direitos históricos dos trabalhadores, enquanto o governo a apresenta como necessária para modernizar o mercado de trabalho.

O Que Muda com a Reforma Trabalhista?

A reforma trabalhista promovida por Milei, que agora segue para a Câmara dos Deputados, flexibiliza contratos de trabalho, altera regras relacionadas a férias, jornada de trabalho e negociação coletiva. Especialistas consultados pelo g1 destacam que o texto é amplo e faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais. O objetivo declarado do governo é impulsionar a economia, mas os sindicatos temem um desmonte de direitos conquistados ao longo de décadas.

A CGT, ao convocar a greve geral, demonstra sua determinação em resistir às mudanças propostas. A paralisação, embora sem atos de rua, tem o poder de paralisar a economia e pressionar o governo. A sociedade argentina acompanha de perto os desdobramentos, ciente do impacto que a reforma trabalhista pode ter no futuro do país e na vida de milhões de trabalhadores.