António José Seguro é eleito presidente de Portugal, com 66,7% dos votos válidos, e faz primeiro discurso

António José Seguro, do Partido Socialista, foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8) em segundo turno, conquistando 66,7% dos votos válidos. Ele derrotou André Ventura, do partido de extrema direita Chega, que obteve 33,3% dos votos.

O novo presidente eleito fez seu primeiro pronunciamento logo após a confirmação de sua vitória. Seguro, que recebeu apoio de partidos de centro no segundo turno, iniciou seu discurso expressando pesar pelas vítimas das tempestades que têm atingido Portugal e ressaltou a responsabilidade do Estado em auxiliá-las.

Ele também agradeceu aos portugueses que superaram as condições climáticas adversas para exercer seu direito ao voto. Pesquisas de boca de urna já indicavam a vitória de Seguro, confirmando as previsões das pesquisas de intenção de voto. Conforme informação divulgada pelo próprio candidato, ele afirmou a jornalistas antes de seu pronunciamento oficial: “A resposta que o povo português deu hoje, o seu compromisso com a liberdade, a democracia e o futuro do nosso país, deixa-me naturalmente comovido e orgulhoso da nossa nação”.

Vitória de Seguro e reconhecimento da derrota de Ventura

A vitória de António José Seguro representa um alívio para as forças políticas tradicionais portuguesas, que buscavam conter o avanço da extrema direita no país. Seguro se posicionou durante a campanha como um candidato moderado, disposto a cooperar com o governo minoritário de centro-direita, e repudiou as retóricas anti-establishment e anti-imigração de Ventura.

Por outro lado, André Ventura reconheceu sua derrota em seu perfil nas redes sociais, agradecendo aos seus apoiadores. “Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer história! Obrigado pela confiança”, publicou Ventura.

Apesar da derrota eleitoral, Ventura, de 43 anos, demonstra uma crescente popularidade em Portugal. Seu partido, o Chega, tornou-se no ano passado a segunda maior força parlamentar portuguesa, ultrapassando os socialistas e ficando atrás apenas da aliança governante de centro-direita, que obteve 31,2%. Ventura declarou a jornalistas após uma missa em Lisboa: “Todo o sistema político, tanto de direita quanto de esquerda, uniu-se contra mim. Mesmo assim, acredito que a liderança da direita foi definida e consolidada hoje. Espero liderar esse espaço político a partir de hoje”.

O sistema semipresidencialista português e o papel do Presidente

É importante notar que o sistema político português é o semipresidencialismo, o que divide o Poder Executivo entre o presidente e o primeiro-ministro. O primeiro-ministro é o responsável pelo dia a dia do governo, enquanto o presidente tem um papel mais cerimonial, representando o país internacionalmente e intervindo quando julgar necessário.

O cargo de Presidente da República em Portugal tem sido ocupado há quase uma década por Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, conhecido por sua postura conciliadora e pela condução do país em momentos de crise. A eleição de Seguro, apoiado por partidos de centro, sinaliza uma busca por estabilidade e unidade nacional.

Impacto das tempestades e adiamento da votação

As recentes tempestades que assolaram Portugal levaram ao adiamento do segundo turno das eleições presidenciais em alguns municípios mais afetados. Cerca de 37 mil eleitores, o equivalente a 0,3% do total, tiveram a votação postergada por uma semana, especialmente nas regiões sul e centro do país.

André Ventura criticou a decisão do governo de manter a data original das eleições, considerando-a desrespeitosa com os cidadãos das áreas atingidas. Ele argumentou que a situação criou uma distinção entre cidadãos de primeira e segunda classe.

António José Seguro também comentou sobre o adiamento, expressando solidariedade às famílias afetadas e incentivando a participação eleitoral. “Espero que estas melhores condições meteorológicas permitam que as pessoas saiam para votar. Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país”, declarou Seguro, reforçando a importância da decisão que os portugueses estavam tomando para os próximos cinco anos.