Paolo Zampolli, conhecido por suas conexões com Donald Trump, é investigado por suposta interferência em processo de imigração para beneficiar disputa de custódia.
O ex-agente de modelos Paolo Zampolli, que se apresenta como um elo entre o ex-presidente Donald Trump e sua esposa, Melania, está no centro de uma polêmica. Segundo reportagem do New York Times, Zampolli teria solicitado ajuda governamental para lidar com a custódia de seu filho, o que envolveria a deportação de sua ex-companheira, a brasileira Amanda Ungaro.
A publicação teve acesso a registros que indicam que Zampolli, que também ocupou o cargo de representante especial do presidente, entrou em contato com David Venturella, então funcionário do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), em junho de 2025. Esse contato ocorreu após a prisão de Amanda Ungaro em Miami, sob a acusação de fraude trabalhista.
As informações obtidas pelo jornal e confirmadas por uma fonte próxima ao caso sugerem que Zampolli, ao ser informado sobre a detenção de Ungaro, teria questionado às autoridades sobre sua situação migratória irregular no país e a possibilidade de sua transferência para uma unidade do ICE. Essa ação levantou suspeitas de que Zampolli estaria tentando usar sua proximidade com a Casa Branca para influenciar o caso em seu favor, conforme aponta a reportagem.
Influência política em disputa pessoal?
De acordo com o New York Times, Venturella teria acionado o escritório do ICE em Miami, informando que o caso era de interesse de alguém próximo à Casa Branca. O objetivo seria garantir que a brasileira fosse detida pelo ICE antes de conseguir liberdade sob fiança. Amanda Ungaro foi, de fato, colocada sob custódia do ICE e posteriormente deportada.
O Departamento de Segurança Interna, órgão que supervisiona o ICE, emitiu um comunicado negando veementemente qualquer irregularidade. Segundo o departamento, Ungaro foi detida e deportada por ter seu visto vencido e por acusações de fraude. A nota oficial classificou como “FALSA” qualquer sugestão de que a prisão e deportação tenham ocorrido por motivos políticos ou como um favor.
Conexões de Zampolli com a família Trump e Epstein
Apesar de seu cargo não ser considerado de grande peso em Washington, Paolo Zampolli é conhecido por divulgar sua proximidade com a família Trump. O próprio Zampolli frequentemente relata ter sido o responsável por apresentar Donald Trump a Melania em 1998, em Nova York. Ele descreve uma antiga amizade com o ex-presidente, marcada por frequentarem a mesma cena social e por um gosto em comum por “coisas bonitas”.
Zampolli também teve relações com Jeffrey Epstein, o financista que enfrentou acusações de abuso sexual contra menores. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mencionam o nome de Zampolli diversas vezes. Ele chegou a discutir a possibilidade de comprar uma agência de modelos em conjunto com Epstein. Zampolli, no entanto, minimiza o grau de sua proximidade com Epstein e nega qualquer envolvimento em atividades ilícitas.
A trajetória de Amanda Ungaro
Amanda Ungaro, que na época dos fatos tinha 17 anos, chegou a Nova York em 2002, vinda de Paris. Segundo a reportagem, ela viajou no avião de Jeffrey Epstein, acompanhada de seu agente francês. Ungaro afirma que nunca mais encontrou Epstein após essa viagem e que conheceu Paolo Zampolli ainda naquele ano.
Ela relata que Zampolli a atraiu como cliente, a incentivou a se mudar para os Estados Unidos e iniciou um relacionamento amoroso que teria durado aproximadamente duas décadas. Zampolli, por sua vez, alega que o relacionamento começou quando Ungaro já tinha 19 anos. Procurado pelo New York Times, Zampolli negou ter solicitado a detenção de sua ex-companheira ou qualquer outro favor ao ICE, afirmando que apenas buscou informações sobre o caso junto a Venturella.