Aliados de Bolsonaro Intensificam Pressão por Prisão Domiciliar e Comparam Caso com Collor e Clezão

A recente queda sofrida por Jair Bolsonaro (PL) impulsionou familiares e aliados a intensificarem a pressão por sua transferência para prisão domiciliar. A defesa planeja apresentar um novo pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto deputados federais avaliam enviar uma série de ofícios ao presidente da corte, Edson Fachin.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) já enviou um primeiro ofício a Fachin, solicitando que o presidente do STF acompanhe as decisões relativas à saúde de Bolsonaro. Outros parlamentares devem seguir o mesmo caminho nos próximos dias, segundo o deputado coronel Chrisóstomo (PL-RO).

A nova estratégia bolsonarista é transformar a prisão domiciliar em uma prioridade, semelhante à campanha pela anistia ampla. A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) destacou a urgência da medida, afirmando que Bolsonaro corre risco de morte e que a prisão domiciliar seria uma questão de responsabilidade humanitária.

Críticas à Equipe Médica e Boletins Contraditórios

Interlocutores do ex-presidente demonstram insatisfação com a equipe médica, que, em sua avaliação, não tem corroborado o discurso familiar sobre a fragilidade da saúde de Bolsonaro. A expectativa é que os profissionais de saúde, e não os familiares, apresentem argumentos técnicos sobre os riscos da prisão na sede da PF para a saúde do ex-presidente.

No entanto, os boletins médicos divulgados durante as recentes internações, em dezembro e no início de janeiro, indicaram que Bolsonaro não apresenta problemas graves. Um boletim recente mencionou uma “leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica”.

A equipe médica também enfrenta críticas pela alta de Bolsonaro em 1º de janeiro e um novo mal-estar ocorrido cinco dias depois, que resultou em uma queda enquanto ele tentava caminhar. Há um aconselhamento para que familiares, amigos e advogados pressionem a equipe médica a comunicar à imprensa uma maior gravidade do caso.

Comparações com Casos Anteriores e Condições da Cela

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comparou a situação do marido com a de Fernando Collor, que cumpre pena em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica, determinada por Alexandre de Moraes. Ela ressaltou que, embora não minimize o quadro de saúde de Collor, que tem apneia do sono, seu marido possui outras comorbidades.

Familiares de Bolsonaro também passaram a descrever a cela na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal como “insalubre”, citando problemas de umidade e ruído constante do ar condicionado central. A PF informou ao ministro Alexandre de Moraes que não tem como solucionar a questão.

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, descreveu a situação como “torturante” e que o barulho do ar condicionado central impossibilita uma vida saudável. Ele expressou preocupação com a possibilidade de novos acidentes e defendeu que o pai seja acompanhado pela família em casa.

Michelle Bolsonaro também apontou negligência da Polícia Federal após o episódio da queda, questionando a alegação de atendimento pronto. A defesa busca a prisão domiciliar de Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado em uma sala na sede da PF em Brasília.