Amazonas registra aumento alarmante de 38% em violações contra idosos em 2025
Um levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) aponta um crescimento expressivo de 38% nos casos de violações de direitos da pessoa idosa no Amazonas durante o ano de 2025. Ao todo, foram contabilizados mais de 5,8 mil episódios, um número que exige atenção e ações urgentes para proteger a população idosa.
Os dados, compilados pelo Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (Cipdi), revelam que a negligência se consolidou como a principal forma de violação, seguida de perto por situações de vulnerabilidade e risco social. A violência psicológica e financeira também figuram entre as ocorrências mais frequentes, demonstrando a complexidade dos desafios enfrentados pelos idosos no estado.
Este aumento significativo, conforme a Sejusc, também reflete o fortalecimento da rede de proteção e a maior confiança da população nos canais de denúncia. A coordenadora do Cipdi, Márcia Magalhães, destaca que a maioria das denúncias parte de familiares e que o perfil mais comum das vítimas são mulheres entre 60 e 69 anos, evidenciando a necessidade de conscientização e de incentivo à denúncia, especialmente quando a própria vítima se sente impossibilitada de fazê-lo.
Negligência e Vulnerabilidade Lideram o Ranking das Violações
A negligência foi a violação mais recorrente em 2025, com 1.764 casos registrados. Em seguida, aparecem situações de vulnerabilidade e risco social, com 1.433 ocorrências. A violência psicológica afetou 786 idosos, enquanto a violência financeira foi responsável por 683 denúncias. Estes dados, divulgados pelo Cipdi, mostram a diversidade de abusos sofridos pela população idosa.
Outras formas de violência também foram documentadas, incluindo intimidação e perturbação (634 casos), violência física (219), autonegligência (171) e abandono (161). A lista se completa com ocorrências de violência patrimonial, maus-tratos, violência sexual, retenção de documentos, crimes cibernéticos, ameaças, violência doméstica e agressões verbais, indicando um amplo espectro de violações que precisam ser combatidas.
Rede de Proteção Ampliada e Canais de Denúncia Fortalecidos
A secretária da Sejusc, Jussara Pedrosa, ressalta que, apesar da preocupação com o aumento dos números, este crescimento também é um indicativo do trabalho realizado para ampliar o acesso aos canais de denúncia e fortalecer a rede de apoio. A intensificação da comunicação e a descentralização dos equipamentos de atendimento contribuem para que mais casos sejam reportados.
“Nós intensificamos bastante os canais de comunicação, os canais de denúncia e também descentralizamos os equipamentos. Isso reflete o número maior de casos de violência sendo denunciados, um indicativo de que mais idosos estão rompendo com esse ciclo de violência e tendo seus direitos assegurados”, afirmou a secretária. O trabalho do Cipdi envolve uma equipe multiprofissional, composta por psicólogos, assistentes sociais e advogados.
Cipdi Oferece Suporte Abrangente e Atendimento Contínuo
O Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (Cipdi) oferece uma gama completa de serviços para auxiliar as vítimas. Entre eles, destacam-se a orientação, o registro de denúncias, o encaminhamento para a rede de proteção, visitas domiciliares e a elaboração de relatórios. A mediação de conflitos e a orientação jurídica também são partes fundamentais do atendimento.
Ao todo, o Cipdi realizou mais de 10 mil atendimentos em 2025, superando a marca de serviços prestados. A Sejusc mantém três unidades do Cipdi em funcionamento, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Além disso, é possível denunciar casos de violência contra idosos 24 horas por dia, através dos telefones Disque 100, 180 ou 190.