Mais de 52 mil brasileiros residem em países afetados pela escalada de conflitos entre EUA, Israel e Irã, segundo o Itamaraty.

A crescente tensão geopolítica no Oriente Médio, marcada pela escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã, lança um alerta sobre a segurança de mais de 52 mil brasileiros que residem em países diretamente envolvidos ou impactados pelos recentes ataques e retaliações. O número, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, não inclui turistas ou pessoas em trânsito temporário, focando apenas nos residentes permanentes.

A situação demanda atenção redobrada das autoridades brasileiras, que buscam garantir a segurança de seus cidadãos em uma região volátil. A diplomacia brasileira tem atuado ativamente, expressando preocupação e pedindo a cessação das hostilidades para mitigar riscos à população e aos interesses nacionais.

O acirramento do conflito na região do Golfo Pérsico levanta preocupações sobre possíveis desdobramentos globais, impactando desde a agenda diplomática até a segurança de comunidades brasileiras no exterior. O Brasil acompanha de perto os desdobramentos e reforça a necessidade de soluções pacíficas.

Líbano e Israel concentram as maiores colônias brasileiras

De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, o Líbano abriga a maior comunidade brasileira, com aproximadamente 22.000 residentes. Em seguida, aparece Israel, com 14.000 brasileiros. Esses dois países estão no epicentro da recente escalada de tensões, tornando a situação particularmente delicada para os compatriotas que vivem nessas nações.

Emirados Árabes Unidos e Jordânia: importantes parceiros e destinos de brasileiros

Os Emirados Árabes Unidos, que recebem 10.365 brasileiros, e a Jordânia, com 3.500 residentes do Brasil, também figuram entre os países com contingentes significativos de brasileiros e que foram mencionados nas retaliações iranianas. Esses países possuem relações estratégicas e comerciais importantes com o Brasil.

Em 2024, o fluxo comercial com os Emirados Árabes Unidos foi expressivo, com o Brasil exportando US$ 4,5 bilhões. A relação bilateral, que completou 50 anos em 2024, é fortalecida por intercâmbios em diversas áreas, incluindo a cooperação militar e de segurança com a Jordânia, onde o Brasil mantém um adido de inteligência e da Polícia Federal.

Outros países da região com presença brasileira

Além das maiores comunidades, outros países envolvidos ou próximos à escalada também contam com brasileiros residentes. O Catar abriga cerca de 2.000 brasileiros, seguido pelo Bahrein (300), Kuwait (280) e Iraque (100). O próprio Irã, alvo direto dos ataques iniciais, tem uma pequena comunidade de 85 brasileiros.

Ao todo, o Oriente Médio é o lar de 63.685 brasileiros. A incerteza sobre a duração e a extensão do conflito, especialmente após a morte do líder supremo iraniano, aumenta a preocupação com a segurança desses compatriotas e a estabilidade da região.

Impacto na diplomacia e agenda brasileira

A crise no Oriente Médio também afeta a agenda diplomática brasileira. O ex-chanceler Celso Amorim destacou os riscos globais do conflito, afirmando que “devemos nos preparar para o pior”. A recente visita do presidente Lula a Washington, prevista para este mês, pode ser adiada devido à crise, evidenciando o impacto da escalada nas relações internacionais do Brasil.

Apesar da condenação pública aos ataques, o governo brasileiro mantém canais de diálogo abertos. A prioridade, no entanto, é a segurança dos brasileiros residentes em áreas de risco e a busca por soluções pacíficas para o conflito que assola o Oriente Médio.