Descubra como verificar a saúde financeira do seu banco e se proteger de notícias falsas que podem colocar seu dinheiro em risco.
A recente liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) tem gerado um aumento na circulação de notícias e rumores sobre a saúde financeira de bancos no Brasil. Nem todas essas informações, no entanto, são precisas, o que pode levar consumidores e investidores a tomarem decisões baseadas em desinformação.
É fundamental saber diferenciar alertas reais de fake news para proteger seu dinheiro e garantir decisões financeiras seguras. Felizmente, existem ferramentas oficiais e indicadores públicos que permitem avaliar a situação de qualquer banco em funcionamento no país.
Antes de agir por pânico ou medo, é essencial consultar fontes confiáveis, analisar os dados disponíveis e desconfiar de promessas financeiras que pareçam boas demais para ser verdade. A informação de qualidade é, sem dúvida, a melhor defesa contra boatos e potenciais prejuízos. Conforme informação divulgada pelo Banco Central, confira o passo a passo para verificar a veracidade de notícias negativas sobre o seu banco.
1. Verifique se o Banco é Autorizado e Supervisionado pelo Banco Central
O primeiro e mais importante passo é confirmar se a instituição financeira que você utiliza é devidamente autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil. Essa consulta pode ser realizada de forma simples e rápida no site oficial do BC, acessando o caminho: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição. Bancos que não possuem autorização do BC estão impedidos de operar legalmente no sistema financeiro nacional.
2. Utilize Bases Oficiais de Dados para Análise Financeira
Existem plataformas oficiais que concentram informações financeiras confiáveis sobre as instituições. Uma delas é a Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), disponível no site do Banco Central, no mesmo caminho de busca de instituições. Ao digitar o nome do banco, você pode acessar suas demonstrações financeiras detalhadas. Outra ferramenta valiosa é o site Banco Data, que organiza dados financeiros de maneira acessível, utilizando cores para indicar o nível de risco de cada indicador. Além disso, cada banco autorizado pelo BC é obrigado a manter um site de Relações com Investidores (RI), onde disponibiliza todas as informações financeiras e resumos de fácil leitura. A busca pode ser feita digitando o nome da instituição seguido de “RI” em qualquer buscador.
3. Avalie os Principais Indicadores de Solidez Financeira de um Banco
Para entender a saúde financeira de um banco, alguns indicadores são cruciais. O Índice de Basileia mede a relação entre o capital próprio do banco e os riscos que ele assume, sendo o mínimo exigido no Brasil de 11% para a maioria das instituições e 13% para bancos cooperativos. Um índice considerado confortável está acima de 15%, indicando maior capacidade do banco de absorver perdas. Analisar o lucro líquido recorrente ao longo do tempo também é um sinal de boa gestão. Fique atento à inadimplência da carteira de crédito, um percentual elevado de empréstimos vencidos há mais de 90 dias é um sinal de risco. O índice de imobilização, que mostra quanto do capital está preso em ativos fixos, também é importante, pois valores altos reduzem a liquidez em momentos de crise. Por fim, o rating de crédito, atribuído por agências como Moody’s, S&P e Fitch, oferece uma visão externa da solidez da instituição; rebaixamentos sucessivos devem acender um alerta.
4. Verifique a Cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
Para quem investe, é fundamental confirmar se o banco é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC garante a recuperação de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, para diversos tipos de aplicações como contas correntes, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA e letras financeiras. Em caso de liquidação da instituição, o FGC é o mecanismo para reaver os valores dentro do limite estabelecido. É importante saber que investimentos como CRI, CRA, debêntures, títulos públicos, títulos de capitalização e fundos de renda fixa geralmente não são cobertos pelo FGC, e em caso de quebra da instituição, esses valores podem ser perdidos.
5. Desconfie de Rentabilidade Fora do Padrão e Sinais de Alerta
Desconfie de ofertas de rentabilidade significativamente acima da média do mercado, especialmente de bancos menores ou em aparente dificuldade. Retornos extraordinários quase sempre estão atrelados a um risco maior. Por exemplo, no caso de CDBs, a taxa máxima recomendada geralmente fica em torno de 115% do CDI, e ofertas como 140% do CDI, como já ocorreu em algumas situações, devem levantar suspeitas. Sinais de alerta incluem a queda contínua do Índice de Basileia, prejuízos recorrentes nos balanços, rebaixamento de rating, notícias sobre investigações ou intervenções, ofertas agressivas de captação e entrada em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET). Por exemplo, no caso do Will Bank, liquidado recentemente, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024.
6. Compare com Investimentos Mais Seguros para Mitigar Riscos
Para reduzir os riscos associados a investimentos em bancos, especialistas recomendam comparar as ofertas com opções mais seguras. O Tesouro Direto, por exemplo, possui o menor risco de crédito do país. Além disso, CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos com alta solidez e que contam com a proteção do FGC são alternativas mais seguras para proteger seu patrimônio e garantir tranquilidade financeira.