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Acordo UE-Mercosul: Como a nova parceria vai impactar seu bolso, preços de vinhos, carros e medicamentos no Brasil?

Acordo UE-Mercosul: Como a nova parceria vai impactar seu bolso, preços de vinhos, carros e medicamentos no Brasil?

Acordo UE-Mercosul: O que muda no seu dia a dia e no bolso do brasileiro com o novo tratado comercial?

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi finalmente assinado. Essa parceria histórica promete redefinir o fluxo de mercadorias entre os blocos, impactando diretamente o cotidiano dos brasileiros, desde as compras no supermercado até os setores produtivos como agronegócio e indústria.

A expectativa é que a maior presença de produtos europeus no mercado nacional traga novidades e, em muitos casos, preços mais acessíveis. Vinhos, queijos, chocolates importados e até mesmo carros podem ter seus custos reduzidos gradualmente, alterando os hábitos de consumo e a competitividade de diversos setores.

Mas os efeitos vão além do consumidor final. O acordo também abre portas para a expansão das exportações brasileiras e para a modernização da indústria e do campo, com acesso facilitado a tecnologias e insumos. Conforme informação divulgada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o tratado cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões, com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões adicionais.

Redução de tarifas e a chegada de novos produtos europeus

Uma das mudanças mais perceptíveis para o consumidor brasileiro será a maior oferta de produtos europeus, com a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação. Isso significa que itens como vinhos, queijos e laticínios, tradicionalmente fortes na Europa, podem se tornar mais acessíveis. A expectativa é que marcas premium de chocolates e outros produtos de supermercado também desembarquem no Brasil pela primeira vez, ampliando as opções de compra.

O acordo prevê a redução ou eliminação de tarifas que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos, estabelecendo regras comuns para bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. No caso dos vinhos, por exemplo, a queda nas taxas de importação, especialmente de países como Itália, França e Espanha, deve tornar a bebida mais competitiva no mercado brasileiro.

Outros produtos, como carros importados da Europa, que hoje enfrentam uma taxa de 35%, deverão ter essa tributação zerada em até 15 anos. Essa medida visa baratear o custo desses veículos para o consumidor final brasileiro. Da mesma forma, medicamentos e produtos farmacêuticos, que já representam uma parcela significativa das importações brasileiras da UE, também podem sentir os efeitos da redução de custos, embora esse processo possa ser mais gradual em itens complexos.

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Oportunidades para a indústria e o agronegócio brasileiro

O acordo UE-Mercosul não se limita às importações, ele também impulsiona as exportações brasileiras. O setor de calçados, por exemplo, que hoje tem tarifas de 3% a 7% na UE, deverá ver essas taxas zeradas em até quatro anos. Produtos agrícolas como uvas também se beneficiarão, com a eliminação imediata da taxa de 14%.

Para a indústria nacional, o acesso facilitado a tecnologias europeias mais baratas pode significar uma redução nos custos de produção e um estímulo a investimentos em modernização. Isso se estende ao campo, onde produtores poderão gastar menos com máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas importados da Europa.

O potencial de crescimento é significativo. Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil pode ser o principal beneficiado, com uma elevação projetada de 0,46% em seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, um crescimento superior ao previsto para a União Europeia e os demais países do Mercosul.

Um mercado de 720 milhões de consumidores

O tratado abrange um mercado consumidor colossal, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas, sendo 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul. Essa união representa aproximadamente 25% do PIB global, evidenciando a magnitude e o potencial econômico da parceria entre os blocos.

A balança comercial entre Brasil e UE, embora atualmente mais favorável ao bloco europeu, tende a se reequilibrar com as novas condições. Em 2022, as exportações brasileiras para a UE alcançaram US$ 49,8 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 50,3 bilhões. O acordo busca criar um ambiente mais simétrico e benéfico para ambos os lados.

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