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Acordo Petrolífero Histórico Venezuela-EUA Gera Dúvidas e Esperança: US$ 100 Bilhões em Jogo

Acordo Petrolífero Histórico Venezuela-EUA Gera Dúvidas e Esperança: US$ 100 Bilhões em Jogo

Acordo Petrolífero Venezuela-EUA: Entre a Desconfiança e a Esperança de Recuperação Econômica

Um acordo petrolífero considerado “histórico” entre a Venezuela e os Estados Unidos tem gerado um misto de apreensão e otimismo no país sul-americano. A negociação, que permitirá aos EUA operar campos de petróleo venezuelanos, ocorre em um contexto de forte pressão americana e sigilo estatal, alimentando dúvidas sobre seus reais beneficiários.

Por outro lado, a perspectiva de um investimento privado de US$ 100 bilhões (R$ 520 bilhões) para revitalizar a indústria petrolífera, que possui as maiores reservas comprovadas do mundo, acende a esperança de uma recuperação econômica tão aguardada pela população. O acordo envolve 17 “campos estratégicos”, conforme detalhado pelo governo venezuelano.

O presidente americano, Donald Trump, anunciou que os EUA terão controle majoritário de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas, classificando o feito como “o maior acordo petrolífero da história”. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o pacto transformará as “reservas imensas” do país em “felicidade social e econômica”.

Pressão Americana e Apoio Interno ao Acordo Petrolífero

Apesar das declarações otimistas, a negociação desperta preocupações entre os simpatizantes do chavismo. A concretização do acordo ocorre sob forte pressão dos Estados Unidos sobre o governo interino de Rodríguez, que assumiu após a captura de Nicolás Maduro em uma operação americana. “Não sabemos a quem isso vai favorecer, se à Venezuela ou a eles (Estados Unidos)”, declarou à AFP Jesús Salazar, um trabalhador de segurança privada de 68 anos, expressando a desconfiança de parte da população.

Contudo, o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) manifestou apoio à decisão, afirmando em comunicado que o acordo prioriza os “interesses nacionais” e busca superar o impacto de “mais de uma década de sanções econômicas, medidas coercitivas unilaterais e bloqueios injustos”.

Impacto do Acordo na Produção e na Economia Venezuelana

Sob pressão de Washington, Rodríguez implementou reformas que abriram os setores de petróleo e mineração ao capital privado, especialmente estrangeiro, antes controlados pelo Estado. Em paralelo, os Estados Unidos aliviaram sanções petrolíferas impostas durante o governo Maduro. Como resultado, a produção de petróleo venezuelana registrou um aumento de 29,8% entre janeiro e julho, alcançando 1,2 milhão de barris por dia, embora ainda distante dos 3 milhões extraídos no final do século passado.

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Analistas preveem que a recuperação dos picos de produção levará tempo, com estimativas apontando para “pelo menos três, quatro anos” para um aumento significativo, segundo o engenheiro Oswaldo Felizzola. Ele vê positivamente a atuação dos EUA como “garantidor” dos investimentos, argumentando que, sem esse apoio, os campos não seriam explorados nos próximos 10 a 15 anos devido à falta de recursos da PDVSA (Petróleos de Venezuela).

Esperança de Alívio para a Pobreza e Dúvidas sobre os Ganhos Reais

Uma operação dessa magnitude é vista como um potencial catalisador para a recuperação econômica da Venezuela, que sofreu uma contração de 80% entre 2014 e 2021. A esperança é palpável entre os venezuelanos que lutam para sobreviver com um salário mínimo equivalente a US$ 0,16 (R$ 0,82) e benefícios estatais que totalizam US$ 240 mensais, insuficientes para cobrir o custo da cesta básica de alimentos, estimado em US$ 730.

“Se querem o petróleo daqui, da Venezuela, têm que pagar por ele pelo preço que está sendo praticado, porque não é que a Venezuela vai dar o petróleo de graça”, sustenta Carlos Baco, um funcionário público de 74 anos, que espera que as receitas do petróleo melhorem a economia. Ele relata que, até o momento, os efeitos do aumento da produção não foram sentidos no bolso, com o custo de vida subindo constantemente.

Sigilo Estatal e a Contagem de Ganhos Futuros

A presidente interina Delcy Rodríguez classificou o acordo como “histórico” e previu US$ 204 bilhões (R$ 1,06 trilhão) em receitas tributárias, mas sem detalhar ganhos de outras fontes, como royalties. A falta de transparência sobre os termos e benefícios exatos do acordo, tanto por parte da Venezuela quanto dos EUA, dificulta a avaliação de seu impacto real. Nas redes sociais, a discussão é intensa, com alegações que variam de perda de soberania a ganhos reduzidos.

O analista Elías Ferrer considera a existência dos investimentos uma boa notícia, apesar das condições, pois “antes aquele petróleo não estava sendo explorado; se ninguém o está explorando, ninguém está pagando royalties e ninguém se beneficia disso”. Ele reconhece que o acordo “poderia ser melhor? Muito provavelmente, sim”. A advogada Dolores Dobarro, ex-vice-ministra venezuelana da Energia, opina que, se “tudo for feito corretamente (…), será uma grande oportunidade para a Venezuela ver seu setor petrolífero ressurgir”.

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