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Política

A pedido de Lula, Mercosul faz minuto de silêncio por vítimas de terremotos na Venezuela; presidente anuncia candidatura à reeleição para “garantir democracia”

A pedido de Lula, Mercosul faz minuto de silêncio por vítimas de terremotos na Venezuela; presidente anuncia candidatura à reeleição para “garantir democracia”

Em discurso na cúpula do bloco no Paraguai, petista defendeu integração sul-americana acima de ideologias e disse que “ninguém é dono” do continente. Presidente também propôs usar modelo do PIX para criar sistema comum de pagamentos e um fundo regional para desastres naturais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comandou, nesta terça-feira (30), um momento de pesar na 68ª Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai. A pedido do mandatário brasileiro, os líderes presentes observaram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela na semana passada, deixando milhares de desaparecidos e desabrigados.

O ato solene marcou o início do discurso de Lula, que também aproveitou a tribuna para fazer um anúncio político de peso: confirmou que disputará a reeleição em outubro deste ano. “Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático”, afirmou o petista, que deve ter como principal adversário o deputado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em sua fala, Lula defendeu a integração do Mercosul como um projeto que deve transcender governos e posições ideológicas. “O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco forte funcionando”, declarou, pedindo esforços para consolidar as instituições do bloco. “Ninguém é dono da América do Sul”, completou, em um recado sobre a polarização política na região.

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Entre as propostas concretas levadas à reunião, o presidente brasileiro sugeriu que a arquitetura do PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, sirva de base para uma infraestrutura comum de pagamentos no Mercosul, com o objetivo de reduzir custos e ampliar o uso de moedas locais. Lula também defendeu a criação de um fundo sul-americano para desastres naturais, classificando a medida como uma “necessidade estratégica” para o enfrentamento a emergências climáticas e eventos como os que devastaram a Venezuela.

Além de Lula, participaram da cúpula os presidentes do Paraguai, Santiago Peña; do Uruguai, Yamandú Orsi; do Chile, José Antonio Kast; e do Equador, Daniel Noboa. O presidente da Argentina, Javier Milei, adversário político do petista e aliado da família Bolsonaro, não compareceu, alegando compromissos locais, e enviou o chanceler Pablo Quirino como representante.

O líder brasileiro também celebrou os 35 anos do bloco, destacando o crescimento do comércio interno, que saltou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025, e mencionou os avanços em acordos comerciais com Singapura e a União Europeia, além do início de negociações com o Japão e a expectativa de aproximação com a China.

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