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Política

Crise no STF: Ministros usam jatinhos de empresários e geram polêmica sobre privilégios

Crise no STF: Ministros usam jatinhos de empresários e geram polêmica sobre privilégios

Uso de jatinhos por ministros do STF gera polêmica e expõe privilégios contrastantes com o cidadão comum

Uma crise inesperada tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF) recentemente, não por questões puramente jurídicas, mas pela evolução patrimonial e conduta de alguns de seus ministros. A situação ganhou contornos ainda mais dramáticos com a revelação de que três membros da corte, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques, utilizaram jatinhos particulares de empresários para seus deslocamentos.

O conforto e a conveniência de voar em aeronaves privadas, que permitem decolar e pousar em horários e locais escolhidos, contrastam com a experiência da maioria dos cidadãos, que enfrentam salas de embarque e horários fixos. Essa disparidade reforça a percepção de que, para alguns, “aeroporto é coisa de pobre”, enquanto a elite opta por “hangares privatizados”.

A prática, que expõe a linha tênue entre o público e o privado, e a proximidade de alguns magistrados com o mundo empresarial, gerou um debate acalorado sobre privilégios e a imagem da justiça. A questão central é o que empurra esses ministros para os hangares, além do conforto, e se isso reflete um distanciamento da realidade da população. Conforme apurado e divulgado, os ministros em questão voaram nas asas de um empresário do setor bancário, o que os livrou de uma eventual curiosidade pública, mas acabou por expô-los como aproveitadores.

Jatinhos: Símbolo de poder e a história da aviação privada no Brasil

O jatinho, ao longo das últimas cinco décadas, consolidou-se como um poderoso símbolo de status, prestígio e patrimônio. Sua disseminação reflete uma mudança nos costumes e na forma como o poder é exercido e percebido. O surgimento de aeronaves privadas ligadas a instituições públicas remonta ao passado, com o exemplo notório do jatinho do Banco Central.

Inicialmente pertencente a um empresário do setor de papel, a aeronave acabou sendo negociada com o Banco Central. Um advogado envolvido na transação relatou que, ao perceber o interesse dos burocratas pelo avião, o vendedor utilizou essa vantagem para obter concessões significativas, que poderiam ter sido suficientes para adquirir uma frota inteira. O jatinho do BC, posteriormente, serviu a ministros e outras figuras influentes.

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O passado e o presente: Conforto, poder e a FAB

A mudança de ares e a perda de poder podiam significar o fim do conforto aéreo. Um episódio marcante, registrado em setembro de 1983, ilustra essa transição. Na ocasião, o então poderoso ministro Delfim Netto, ao ser contatado por telefone em seu gabinete paulista, negou o uso do avião do Banco Central para um economista que desejava retornar ao Rio de Janeiro, sugerindo que este tomasse um “ônibus”.

Naquela época, a autoridade de verdade, como Delfim, utilizava seu poder de forma contundente. Atualmente, a situação parece ter se invertido em alguns aspectos. Enquanto o jatinho do Banco Central pode ter se aposentado, a autoridade de maior escalão, em muitos casos, utiliza voos da Força Aérea Brasileira (FAB). O STF, por sua vez, não divulga os voos de seus ministros, mesmo em situações que envolvem viagens internacionais para encontros de juízes, onde a aeronave pode permanecer à espera por dias.

Contrastes e a percepção de “país pobre”

A polêmica em torno do uso de jatinhos por ministros do STF levanta um ponto crucial: o horror à convivência com cidadãos comuns. A escolha por voar em aeronaves privadas, evitando as filas e a aglomeração dos aeroportos públicos, sugere um desejo de distanciamento. Um contraste interessante é a observação de que, no século passado, a juíza Sandra Day O’Connor, da Suprema Corte dos Estados Unidos, teria sido vista na sala de embarque de uma ponte aérea. Isso é frequentemente associado à ideia de “país pobre”, onde o acesso a recursos como carros oficiais é restrito. O STF, com seus 11 ministros, mantém uma frota de 91 carros, sendo 11 deles blindados, um número que chama a atenção.

A era dos jatinhos e o legado de Assis Chateaubriand

O Brasil mudou, e os tempos também. Antes da proliferação dos jatinhos, figuras proeminentes já demonstravam seu poder de formas distintas. O jornalista Assis Chateaubriand, em seus últimos anos, mesmo com a saúde debilitada, utilizava uma Rolls Royce para percorrer uma curta distância na pista do aeroporto do Galeão. Essa manobra era feita para transitar do jato que o trazia da Europa para um bimotor que o levaria a São Paulo, ostentando seu status, mesmo que, em tese, às suas próprias custas.

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