Petróleo ultrapassa US$ 100 em meio a tensões globais e decisão dos EUA sobre petróleo russo

Os preços do petróleo voltaram a superar a marca de US$ 100 por barril, impulsionados pelas crescentes tensões no Oriente Médio e pelo risco de interrupções no fornecimento global de energia. A commodity acumula alta de cerca de 40% desde o início do conflito na região, atingindo patamares não vistos desde meados de 2022.

Nesta sexta-feira (13), o barril do Brent, referência internacional, registrou alta de 0,8%, chegando a US$ 100,30, enquanto o WTI era negociado a US$ 95,98. A escalada reflete um cenário de incerteza, com o mercado atento aos desdobramentos da guerra e às possíveis consequências para o fluxo de petróleo.

Apesar de uma ligeira queda momentânea após os Estados Unidos autorizarem temporariamente a compra de petróleo russo retido no mar, a preocupação com a oferta global permanece alta. A medida americana, válida até 11 de abril, busca aliviar a escassez, mas não dissipa os receios de instabilidade no mercado. Conforme informação divulgada pelas fontes, o mercado segue atento à evolução da guerra e ao risco de interrupções no fluxo de petróleo no Oriente Médio.

Tensões no Oriente Médio Elevam Volatilidade

O aumento da instabilidade na região, incluindo ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio mundial de petróleo, tem sido um fator determinante para a volatilidade dos preços. Mitch Reznick, chefe do grupo de renda fixa da Federated Hermes, destacou à Reuters que as notícias chegam ao mercado como “água de uma mangueira de incêndio”, impactando diretamente o preço do petróleo e os mercados financeiros.

Impacto na Inflação e Juros nos EUA

O avanço do petróleo reacende preocupações com a inflação global e força investidores a reverem suas expectativas sobre os juros nos Estados Unidos. O mercado agora projeta apenas 20 pontos-base de cortes nas taxas pelo Federal Reserve neste ano, uma redução significativa em comparação aos 50 pontos-base esperados no mês anterior. Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos do OCBC, em Singapura, alertou que os investidores devem estar preparados para “volatilidade contínua e possíveis novas quedas nos mercados no curto prazo”, dada a possibilidade de aumento dos preços do petróleo.

Brasil Adota Medidas para Mitigar Alta do Diesel

Diante da escalada do petróleo, o governo brasileiro anunciou um pacote de medidas para evitar que o aumento da commodity se traduza em elevações significativas no preço do diesel no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e a criação de uma subvenção para produtores e importadores. As ações, segundo estimativas do governo, podem reduzir o preço do diesel em cerca de R$ 0,64 por litro.

Imposto sobre Exportação e Adesão da Petrobras

Para compensar a perda de arrecadação, o governo também implementou um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, visando capturar parte dos ganhos extras obtidos por produtores. A Petrobras informou que seu conselho de administração aprovou a adesão ao pacote de medidas, considerando-o compatível com o interesse da companhia. A estatal, no entanto, aguarda a publicação e análise das regras da ANP para efetivar a adesão, mantendo sua estratégia comercial focada na participação de mercado e rentabilidade sustentável, evitando o repasse imediato da volatilidade internacional aos preços internos.