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Naufrágio em Manaus: “Segurei meu filho por 30 minutos para não afundar”, relata sobrevivente em meio a superlotação e falta de coletes

Naufrágio em Manaus: “Segurei meu filho por 30 minutos para não afundar”, relata sobrevivente em meio a superlotação e falta de coletes
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Sobrevivente relata 30 minutos de desespero para salvar filho em naufrágio em Manaus

Um grave naufrágio na região do Encontro das Águas, em Manaus, na última sexta-feira (13), deixou um rastro de dor e desespero. A embarcação de transporte de passageiros Lima de Abreu XV naufragou, resultando na morte de duas pessoas, incluindo uma criança, e sete desaparecidos. A empresária Júlia Moraes, sobrevivente, compartilhou momentos de pânico e luta pela vida.

Em entrevista ao g1, Júlia narrou a angústia de ter que segurar seu filho sobre um cooler por cerca de 30 minutos para mantê-lo fora da água. A falta de coletes salva-vidas suficientes e a superlotação da lancha agravaram a tragédia, segundo relatos dos passageiros que sobreviveram ao naufrágio.

A embarcação, que seguia de Manaus para Nova Olinda do Norte, começou a enfrentar dificuldades após passar por uma área conhecida como “gelão”, onde as ondas se tornaram mais turbulentas. Apesar dos apelos de passageiros para que o condutor diminuísse a velocidade, as solicitações foram ignoradas, aumentando o risco.

Superlotação e falta de coletes: um cenário de pânico

Júlia Moraes relatou que a lancha estava visivelmente superlotada, e a quantidade de coletes salva-vidas era insuficiente para todos os passageiros. Alguns dos coletes disponíveis, segundo ela, apresentavam condições precárias, o que aumentou o desespero no momento do naufrágio. A empresária descreveu a cena como de pânico generalizado, com pessoas lutando por coletes e o choro de crianças ecoando.

“Tinha gente tirando colete do outro para tentar se salvar. Quando eu olhei para o lado, vi um moço se debatendo. Depois percebi que ele estava morto. É a pior sensação da face da terra. Um monte de crianças chorando, tomando água”, contou Júlia, descrevendo o terror vivido.

Primeiro barco a passar não prestou socorro

Um dos relatos mais chocantes da sobrevivente foi a indiferença de uma das primeiras embarcações que passaram pelo local do naufrágio. Segundo Júlia, a tripulação apenas tirou fotos e gravou vídeos, mas não ofereceu qualquer tipo de ajuda aos náufragos que lutavam pela vida na água.

“Eles só tiraram foto, fizeram vídeo e passaram direto. Não ajudaram a gente”, desabafou. A empresária conseguiu manter seu filho seguro sobre um cooler até que puderam ser resgatados, mas a espera pelo socorro foi angustiante.

Investigação em andamento e buscas continuam

O comandante da lancha, identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi detido em flagrante, mas liberado após pagamento de fiança, respondendo por homicídio culposo. A Marinha do Brasil informou que intensificou as buscas pelos desaparecidos, empregando aeronaves, embarcações e mergulhadores na área do acidente e nas margens dos rios.

Foi instaurado um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar as causas e responsabilidades do trágico naufrágio da embarcação Lima de Abreu XV. A investigação busca esclarecer as circunstâncias que levaram à perda de vidas e ao desaparecimento de outras pessoas no incidente.

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