Atletas Ucranianos Homenageados em Capacete ‘Barrado’ na Olimpíada de Inverno: Quem Eram e Por Quê

O atleta ucraniano de skeleton, Vladislav Heraskevych, viu sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno ser barrada após se recusar a retirar um capacete customizado com imagens de compatriotas mortos no conflito contra a Rússia. A decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de proibir o acessório, alegando a regra contra manifestações políticas, gerou repercussão e levou o caso à Corte Arbitral do Esporte (CAS), que negou o recurso.

O caso destaca a tensão entre as regras olímpicas e a expressão individual em tempos de guerra. Heraskevych buscou homenagear atletas que perderam suas vidas defendendo a Ucrânia, transformando seu equipamento em um símbolo de resistência e memória. A recusa do COI em permitir tal manifestação, mesmo que pessoal, resultou na desclassificação do atleta, gerando críticas de autoridades ucranianas.

A história ressalta o impacto do conflito russo-ucraniano no mundo esportivo e as difíceis escolhas enfrentadas por atletas em situações de guerra. O capacete, que se tornou um ponto central da controvérsia, carregava os rostos de jovens promessas e experientes esportistas, cujas vidas foram tragicamente interrompidas. Conforme informação divulgada pelo g1, o próprio atleta afirmou ter recebido ameaças de russos por causa do capacete.

A Homenagem e a Proibição do COI

Vladislav Heraskevych, competidor da modalidade skeleton, teve seu capacete com imagens de atletas ucranianos falecidos na guerra vetado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). A justificativa oficial foi a proibição de **expressões políticas em competições olímpicas**. Apesar de uma sugestão do COI para usar uma braçadeira preta em vez do capacete, Heraskevych manteve sua posição, o que culminou em sua desclassificação.

Quem Eram os Atletas Homenageados

O capacete de Heraskevych era um memorial a diversos esportistas ucranianos que perderam suas vidas desde o início do conflito. Entre eles, destacam-se Daria Kurdel, dançarina morta aos 20 anos em um bombardeio em julho de 2022, e Fedir Yepifanov, esgrimista campeão nacional que faleceu aos 18 anos em dezembro de 2023. O ator e atleta Ivan Kononenko, o jogador de hóquei Oleksiy Loginov e o halterofilista Pavlo Ishchenko, que continuou competindo mesmo durante a guerra, também foram lembrados.

Outras vítimas homenageadas incluíam Yevhen Malyshev, biatleta de 19 anos que morreu em março de 2022, e Nazar Zui, boxeador morto em Mariupol. Taras Shpuk, corredor e treinador, Andriy Yaremenko, lutador greco-romano, e Roman Polishchuk, corredor e saltador de altura, que faleceu em Bakhmut em março de 2023, também tiveram suas vidas interrompidas pela guerra. O atirador Oleksiy Habarov, recordista mundial, e o patinador artístico Dmytro Sharpar, ambos mortos em combate, foram mais nomes presentes no capacete.

A lista de homenageados ainda incluía Kateryna Diachenko, ginasta de 11 anos, e Maria Lebid, dançarina de 15 anos, vítimas de bombardeios. Mykyta Kozubenko, mestre em mergulho, Volodymyr Androshchuk, poliatleta, e Andriy Kutsenko, ciclista que retornou para lutar, também foram lembrados. Kateryna Troian, corredora, Viktoria Ivashko, judoca morta com a mãe, e Karyna Bakhu, medalhista mundial de kickboxing aos 17 anos, completam a lista de esportistas cujas vidas foram ceifadas.

Repercussão e Críticas à Decisão do COI

A decisão do COI de desclassificar Heraskevych gerou críticas contundentes, incluindo a do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Ele afirmou que “o esporte não deveria significar amnésia, e o movimento olímpico deveria ajudar a acabar com as guerras, não fazer o jogo dos agressores”. Heraskevych, por sua vez, expressou confiança em uma decisão favorável da CAS, mas admitiu acreditar que seria impedido de competir de qualquer forma, acusando o COI de transformar os Jogos em uma “máquina de propaganda russa”.

O Papel da Corte Arbitral do Esporte

A Corte Arbitral do Esporte (CAS) foi acionada por Heraskevych, mas negou o recurso, mantendo a decisão do COI. O atleta compareceu a uma audiência em Milão, onde esperava reverter a suspensão. No entanto, a entidade máxima do esporte manteve a posição, citando a recusa do atleta em cumprir as diretrizes sobre a **expressão dos atletas**. A Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF) também decidiu pela desclassificação, baseada no regulamento que proíbe equipamentos fora do padrão.