Agiotagem no AM: Servidora do TJAM revela tortura psicológica e ameaças de morte: ‘Vou sequestrar teu filho’
Uma servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que optou por não se identificar, trouxe à tona detalhes assustadores sobre as intimidações e ameaças de morte sofridas por integrantes de um grupo suspeito de agiotagem e extorsão. A operação policial, deflagrada nesta quinta-feira (12), resultou na prisão de seis homens, incluindo o suposto líder que utilizava um banco como fachada para lavagem de dinheiro.
As ameaças, segundo a vítima, começaram em 2019 após contrair um empréstimo de aproximadamente R$ 5 mil. Atualmente, a dívida ultrapassa os R$ 500 mil, e a servidora afirma ter perdido mais de R$ 1,5 milhão em transferências bancárias, além da entrega de dois imóveis e um veículo ao grupo criminoso.
A pressão psicológica e as constantes ameaças desestruturaram a vida da servidora, que relatou ter perdido relações familiares e conjugais devido à situação. Ela revelou ter chegado ao limite, sentindo que não tinha outra alternativa senão denunciar o esquema, arrependendo-se de não ter buscado uma solução antes.
Ameaças gravadas e violência explícita
Em áudios obtidos pela Rede Amazônica, é possível ouvir um dos suspeitos proferindo ameaças graves, como o sequestro do filho da vítima. O agiota demonstra impaciência com o não pagamento e afirma que cumprirá suas palavras. A servidora também foi abordada no estacionamento do TJAM e forçada a entrar em um veículo com um dos criminosos.
Um vídeo apreendido pela polícia mostra um dos suspeitos relatando um acordo de pagamento de novas parcelas para o chefe do grupo. Em outra gravação, as ameaças se intensificam, com a promessa de matar a servidora e metralhar um carro corporativo do tribunal. “Vou fazer escolta lá na frente do tribunal, vou te pegar, vou metralhar o carro corporativo do Tribunal de Justiça, entendeu? Vou te matar ainda hoje”, afirma um dos suspeitos em um dos áudios.
Operação policial desarticula rede de agiotas
A operação policial resultou na prisão de seis homens, suspeitos de integrarem diferentes núcleos de agiotas que visavam principalmente servidores públicos do Amazonas. A Justiça autorizou prisões preventivas, quebras de sigilo telefônico e mandados de busca e apreensão, resultando na apreensão de celulares, dinheiro, computadores e armas.
O delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), destacou que o grupo, liderado por Ikaro Michel, utilizava o Banco Life como fachada para lavar o dinheiro obtido com as práticas criminosas. Com Michel, foram apreendidos cerca de nove veículos, dinheiro, celulares, computadores e uma arma. O delegado enfatizou que o banco servia para escoar e dissimular os capitais oriundos da agiotagem.
Vítimas e o impacto devastador da agiotagem
A investigação já identificou pelo menos cinco vítimas do grupo, incluindo a servidora do TJAM. A mulher relatou o impacto devastador da agiotagem em sua vida, afirmando que seu lar foi destruído e suas relações familiares e conjugais abaladas. “Todo mundo com medo, amedrontado. Você fica assim, sem nada, sem nada, absolutamente nada, nada. Meu lar está destruído. Eu destruí minha relação com os meus filhos, minha relação familiar, meu casamento, tudo por conta de dívida com agiotas”, lamentou.
O TJAM informou que não se manifestará sobre o caso, e a defesa de Ikaro Michel declarou que só se pronunciará após ter acesso ao inquérito policial. A gravidade das ameaças e a extensão da dívida demonstram a crueldade e a organização do grupo criminoso que explorava a vulnerabilidade de servidores públicos.