Deputados dos EUA Expressam Indignação com o Governo Trump por “Tarjas Excessivas” e “Acobertamento” em Arquivos do Caso Epstein
Diversos políticos americanos, tanto republicanos quanto democratas, demonstraram insatisfação com o governo Trump em relação ao acesso aos arquivos do caso Jeffrey Epstein. A principal queixa gira em torno da quantidade de informações censuradas, as chamadas “tarjas excessivas”, que estariam impedindo uma visualização completa e transparente dos documentos.
As críticas ganharam força após congressistas terem acesso privilegiado a versões dos arquivos com menos tarjas do que as divulgadas ao público em geral. Essa discrepância levou alguns parlamentares a acusarem o governo de tentar encobrir informações sensíveis, alimentando o debate sobre a transparência no caso que chocou o mundo.
A polêmica envolvendo o caso Epstein e a divulgação de seus arquivos se intensificou nas últimas semanas, especialmente após a liberação de cerca de três milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA. A situação gerou um pedido formal na Câmara dos Deputados, assinado por 217 parlamentares, exigindo que o governo Trump libere as versões completas dos documentos, sem censura. Conforme relatado por diversos veículos de imprensa, a insatisfação com o governo Trump por “tarjas excessivas” e “acobertamento” em arquivos do caso Epstein é crescente.
Acesso Privilegiado e Reclamações de Censura
Deputados como Thomas Massie, Anna Paulina, Lauren Boebert, Nancy Mace, Ro Khanna, Jamie Raskin e Becca Balint tiveram a oportunidade de acessar os arquivos do caso Epstein em condições mais favoráveis. No entanto, mesmo com esse acesso privilegiado, as reclamações sobre o “tarjamento excessivo” persistiram. A alegação é que o FBI e os tribunais teriam censurado informações importantes antes mesmo de os documentos chegarem ao Departamento de Justiça.
O deputado Ro Khanna destacou a preocupação com o que ainda está censurado, mesmo nas versões que eles puderam ver. Ele enfatizou que a lei determina que documentos originais do FBI e do grande júri deveriam estar disponíveis sem tarjas, o que não estaria ocorrendo. Essa falta de transparência levanta sérias questões sobre o que o governo estaria tentando esconder.
Thomas Massie relatou ter descoberto um nome censurado, o de Leslie Wexner, ex-CEO da Victoria’s Secret, através de uma busca reversa. Essa descoberta levou o Departamento de Justiça a remover a tarja daquela informação na versão pública, um indicativo, segundo Massie, de que o órgão pode ter exagerado na censura e que a melhor solução seria destarjar todos os nomes relevantes.
Exigência por Responsabilização e Fim do “Acobertamento”
Os políticos são unânimes em afirmar que é impossível que apenas uma cúmplice de Epstein tenha sido descoberta pelas autoridades, dada a vastidão de sua rede de tráfico sexual. A deputada Nancy Mace reforçou que, com mais de mil vítimas, todos os envolvidos devem ser responsabilizados, assim como aqueles que participaram do “acobertamento” do caso.
Jamie Raskin criticou a disponibilização de apenas quatro computadores para os congressistas consultarem os arquivos, classificando a situação como um “acobertamento”. Ele também apontou a contradição entre o sigilo imposto a certos nomes e a divulgação de informações sobre dezenas de vítimas, cujos nomes não eram conhecidos previamente.
A deputada Becca Balint descreveu a situação como “nojenta”, ressaltando que “tantas pessoas sabiam” sobre as atividades de Epstein. Lauren Boebert, que também visualizou os arquivos, indicou que há pessoas “implicadas, possivelmente como co-conspirador” de Epstein, e ironizou a possibilidade de que nem todos que falavam sobre tráfico de menores fossem vítimas.
Ghislaine Maxwell e o Silêncio no Congresso
Enquanto isso, Ghislaine Maxwell, condenada por cumplicidade com Epstein, recusou-se a responder a perguntas de uma comissão do Congresso, invocando seu direito legal de não produzir provas contra si mesma. Seus advogados afirmaram que ela estaria disposta a depor caso recebesse um indulto do presidente Donald Trump.
O grupo de supervisão da Câmara do Partido Democrata criticou o silêncio de Maxwell, questionando “quem ela está protegendo” e prometendo “acabar com esse acobertamento da Casa Branca”. O depoimento de Maxwell ocorreu pouco após a divulgação de milhões de documentos relacionados a Epstein pelo Departamento de Justiça.
O deputado republicano James Comey, presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, enfrentou pressão para realizar o depoimento de Maxwell. Ele havia atuado ativamente para que Bill Clinton e Hillary Clinton cumprissem intimações, ameaçando-os com acusações de desacato ao Congresso caso não cooperassem.