Macron critica acordo com Mercosul e propõe eurobônus para fortalecer a Europa frente ao dólar americano

Em declarações recentes a jornais franceses, o presidente Emmanuel Macron expressou forte ceticismo em relação ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, classificando-o como um “mau negócio” para o bloco europeu. A fala surge em um momento crucial, às vésperas de uma reunião de cúpula em Bruxelas onde líderes europeus discutirão a competitividade e o futuro econômico do continente.

Macron também apresentou uma visão ambiciosa para a soberania europeia, defendendo a criação de um mecanismo de empréstimo conjunto, como os eurobônus. O objetivo principal seria munir a UE com a capacidade de realizar investimentos em larga escala e, assim, desafiar a hegemonia do dólar americano no cenário financeiro global. Para o líder francês, a Europa precisa agir com mais assertividade na proteção de suas indústrias.

As declarações, divulgadas pela Reuters, abordam ainda a necessidade de aprofundar o mercado interno europeu e criticam a lentidão no avanço de planos voltados para a soberania do bloco. Macron também comentou sobre as tensões com os Estados Unidos, alertando para que a Europa não confunda tréguas momentâneas com mudanças duradouras na relação transatlântica, especialmente sob a administração Trump, que ele descreveu como “abertamente antieuropeia”. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters.

Europa busca autonomia econômica e tecnológica

O presidente francês enfatizou a urgência de a Europa simplificar e fortalecer seu mercado interno. Segundo Macron, os planos para tornar a Europa mais autônoma em diversas áreas estratégicas não estão progredindo com a velocidade necessária. Ele argumenta que a Europa precisa de instrumentos financeiros mais robustos para competir globalmente, sugerindo que os eurobônus poderiam ser um caminho para financiar grandes projetos e reduzir a dependência do dólar.

Críticas à postura dos EUA e defesa de projetos europeus

Macron alertou que a Europa não deve se iludir com aparentes cessar-fogo nas tensões com Washington, citando disputas comerciais e tecnológicas. Ele afirmou que, diante de agressões claras, a estratégia de se curvar ou buscar acordos imediatos não tem se mostrado eficaz. O presidente francês lembrou que, no passado, o governo Trump foi acusado de buscar o “desmembramento” da UE, demonstrando uma postura frequentemente hostil.

Projeto de avião de combate europeu avança apesar de tensões

Em outro ponto abordado nas entrevistas, Macron expressou otimismo em relação ao projeto do futuro avião de combate europeu (SCAF). Ele descreveu o projeto como “um bom projeto” e insistiu que “as coisas devem avançar”, mesmo diante de tensões entre as indústrias francesa e alemã. Macron minimizou as dissensões industriais, afirmando que a decisão final cabe aos governos e que ele discutirá o tema com o chanceler alemão. A despeito de rumores sobre o cancelamento do programa, o presidente francês assegurou que o projeto FCAS não está morto e espera seu avanço.

Preocupações com restrições a redes sociais para menores

O líder francês também manifestou preocupação com possíveis retaliações dos Estados Unidos a países da UE, como França e Espanha, que planejam implementar restrições ao uso de redes sociais por menores de idade. Essa questão adiciona mais uma camada de complexidade às relações transatlânticas, evidenciando os desafios que a Europa enfrenta na definição de sua autonomia regulatória e econômica.