Cuba suspende fornecimento de querosene em aeroportos devido à crise energética

A aviação civil cubana informou às companhias aéreas sobre a interrupção do abastecimento de combustível de aviação, conhecido como JetFuel, a partir de 10 de fevereiro. A medida é um reflexo da grave crise energética que o país atravessa.

A escassez de petróleo em Cuba se intensificou após sanções impostas pelos Estados Unidos, que dificultaram o recebimento de suprimentos da Venezuela. O governo cubano anunciou recentemente medidas de racionamento de combustíveis para lidar com a situação.

A situação energética em Cuba é crítica, com apagões em larga escala sendo registrados nos últimos dias. Dados da empresa belga Kpler indicam que o país possui reservas de petróleo suficientes para apenas 15 a 20 dias, conforme divulgado pelo Financial Times. Acompanhe os desdobramentos dessa crise e as medidas adotadas pelo governo cubano.

Priorização de Serviços Essenciais e Setores Estratégicos

Diante da escassez, o governo cubano definiu que o uso de combustíveis será priorizado para serviços essenciais. Isso inclui áreas como saúde, defesa, e os sistemas de abastecimento de água e alimentos. A decisão visa garantir o funcionamento mínimo das infraestruturas críticas do país.

Além dos serviços essenciais, os setores agrário e de turismo também foram incluídos na lista de prioridades para o uso de combustíveis. O ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez, assegurou que voos nacionais e internacionais continuarão sendo mantidos, apesar da suspensão do fornecimento de querosene nos aeroportos.

Medidas para Contornar o Bloqueio e Garantir Pagamentos

Em uma tentativa de driblar as sanções americanas, o governo cubano anunciou a descentralização da importação de combustíveis. Qualquer entidade com capacidade de importar o produto poderá fazê-lo, buscando diversificar as fontes de suprimento.

O governo também reforçará os investimentos em produção de energia solar e manterá a geração de eletricidade. Para os trabalhadores do setor estatal, o ministro do Trabalho, Jesus Otamendiz, garantiu o pagamento de um salário básico durante o período da crise, como parte do plano de contingência.

Ajuda Humanitária e Críticas de Cuba aos EUA

Em contraste com as sanções, os Estados Unidos anunciaram o envio de US$ 6 milhões em ajuda humanitária para Cuba. Segundo Washington, os recursos destinam-se a mitigar os danos causados pelo furacão Melissa em outubro. Contudo, o vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, classificou a medida como hipócrita.

De Cossio criticou a política americana, afirmando que é incoerente impor sanções severas que afetam a vida de milhões de pessoas e, em seguida, oferecer ajuda limitada. A declaração ressalta a tensão diplomática e as diferentes perspectivas sobre a crise energética na ilha.