El Niño pode impactar bandeiras tarifárias e encarecer a conta de luz em 2024

A perspectiva de atuação do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano acende um alerta para o bolso dos consumidores brasileiros. Especialistas apontam para um cenário de maior probabilidade de acionamento de bandeiras tarifárias mais caras na conta de energia elétrica ao longo de 2024, com potencial para bandeiras vermelhas mais frequentes.

O período de chuvas mais escassas no Norte e Nordeste do país, associado ao aumento das temperaturas, pode impactar diretamente o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Isso, por sua vez, afeta a metodologia de cálculo das bandeiras tarifárias, que definem se haverá cobrança adicional na fatura de energia.

A situação atual ainda é de alívio, com a bandeira verde vigente em fevereiro, sem custos extras. No entanto, a partir de abril, com o fim do período úmido, a tendência é de mudança. Conforme informações divulgadas pelo Broadcast, o mercado já antecipa mais meses com bandeira vermelha em 2026, em comparação com 2025, devido à menor precipitação observada até o momento.

Bandeira amarela pode retornar a partir de abril

O quadro tarifário tende a mudar drasticamente a partir de abril. Com o encerramento do período chuvoso, o risco hidrológico e o preço da energia de curto prazo (PLD) podem atingir patamares que justifiquem o acionamento de bandeiras de alerta. A bandeira amarela, que representa um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, é a mais cotada para retornar já no quarto mês do ano.

Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, não descarta a possibilidade da bandeira amarela em abril. Ele ressalta que as chuvas esperadas para os próximos dias e a atualização dos mapas climáticos no final de fevereiro serão cruciais para definir essa previsão. “Mas passando fevereiro, já começa a ficar muito difícil que mude muito o viés”, afirmou, referindo-se à tendência de aumento dos preços da energia no período seco.

Aumento da frequência de bandeiras vermelhas é uma preocupação

A preocupação maior reside na possibilidade de acionamento da bandeira vermelha. A bandeira vermelha Patamar 1 adiciona R$ 4,463 a cada 100 kWh, enquanto o Patamar 2 eleva esse custo para R$ 7,877 a cada 100 kWh. Machado reforça a perspectiva de maior frequência de bandeiras vermelhas em 2026, mas a dúvida é sobre a quantidade de meses sob o patamar mais caro e quando a primeira bandeira amarela será acionada.

A Ampere Consultoria, por exemplo, projeta que a bandeira tarifária se mantenha verde até abril. Contudo, o sócio consultor Guilherme Ramalho de Oliveira adverte que cenários mais conservadores da consultoria ainda indicam a bandeira amarela já no quarto mês do ano, o que demonstra a incerteza do cenário.

Projeções variam, mas tendência é de encarecimento

Outras projeções indicam um cenário ainda mais desafiador. Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, prevê bandeira amarela em maio, escalando para a vermelha a partir de junho, com retorno à amarela apenas em novembro ou dezembro. Ele aponta que a configuração de um El Niño pode dificultar o retorno à bandeira verde no final do ano.

Vinícius David, especialista de Estudos de Mercado da Envol, também considera maior a chance de bandeira amarela a partir de maio, mas vislumbra a bandeira vermelha apenas em julho, com possibilidade de vermelha 2 durante o período seco, até setembro. A consultoria aponta perspectiva de bandeira amarela ou verde apenas nos últimos dois meses do ano.

David lembra que, embora o El Niño não tenha um efeito direto e previsível nas chuvas das principais bacias hidrográficas do país, ele provoca um efeito secundário de temperaturas mais altas. “Isso leva a uma carga mais alta, o que pode pressionar os preços para cima”, explicou. Portanto, o consumidor deve ficar atento às atualizações sobre o clima e o impacto na sua conta de luz.