As Princesas Beatrice e Eugenie sob os Holofotes: O Impacto do Escândalo Epstein em Suas Vidas e Carreira Real

A vida das princesas Beatrice e Eugenie, filhas do ex-príncipe Andrew, tem sido marcada por novas e desconfortáveis revelações. E-mails recém-divulgados indicam uma conexão mais profunda e frequente com Jeffrey Epstein do que se supunha anteriormente, lançando uma sombra sobre suas carreiras e seu lugar na Família Real Britânica.

Essas novas informações, que sugerem envolvimento em almoços com Epstein e até mesmo a tarefa de entreter seus contatos e guiar visitas ao Palácio de Buckingham, colocam em xeque o futuro das princesas. Especialistas em realeza e biógrafos da Casa de York analisam o impacto dessas revelações e as estratégias que Beatrice e Eugenie podem adotar para se distanciar da polêmica.

Apesar da gravidade das acusações envolvendo Epstein, a jornalista Victoria Murphy aponta que ainda existe simpatia pelas princesas. No entanto, a necessidade de se desvincular da imagem negativa associada ao seu pai e aos contatos de Epstein é cada vez mais premente para que mantenham relevância dentro da instituição real. As informações foram divulgadas em reportagens da mídia britânica.

A Conexão com Epstein: Detalhes Reveladores dos E-mails

Os e-mails divulgados pintam um quadro preocupante da relação entre as princesas e o magnata. Uma troca de mensagens sugere um almoço em Miami com Epstein poucos dias após sua soltura de uma prisão por prostituição de menores. Outros trechos indicam que elas poderiam ser solicitadas a entreter contatos de Epstein ou a realizar visitas guiadas ao Palácio de Buckingham.

Embora a defesa de Andrew negue qualquer irregularidade e a simples menção nos arquivos de Epstein não constitua prova de culpa, as constantes referências às princesas nos documentos tornam a situação delicada. O autor Andrew Lownie, em seu livro “Entitled: The Rise and Fall of the House of York”, argumenta que, na época das visitas, Beatrice e Eugenie já eram adultas, com 21 e 19 anos, respectivamente, o que levanta questionamentos sobre a natureza dessas interações.

Há também indícios de que Epstein poderia ter custeado passagens aéreas para a família, totalizando cerca de US$ 14.080,10. Por outro lado, as mensagens também mostram Epstein buscando a colaboração de Sarah Ferguson, mãe das princesas, para que elas pudessem encontrar pessoas e mostrar o Palácio de Buckingham. Em uma das trocas, uma pessoa identificada como “Sarah” parece comentar sobre a vida amorosa de Eugenie, mencionando um “fim de semana de sexo”.

Carreiras e Filantropia em Jogo: O Impacto na Imagem Pública

Atualmente, nem Beatrice nem Eugenie exercem funções oficiais na realeza. Ambas são casadas, têm filhos e trilham suas próprias carreiras. Eugenie é cofundadora do Anti-Slavery Collective, uma instituição de caridade focada em vítimas de tráfico sexual. Contudo, Lownie aponta a ironia e a inadequação dessa causa para Eugenie, dada a associação familiar com Epstein.

Os registros financeiros do Anti-Slavery Collective mostram uma queda significativa nas doações, de 1,5 milhão de libras em 2024 para 48 mil libras em 2025, apesar de um considerável montante em reservas. A instituição tem mantido um perfil discreto, com fontes do setor indicando a dificuldade em realizar eventos de grande visibilidade devido à imagem associada à família.

Outras instituições com as quais as princesas têm vínculo também adotaram uma postura mais cautelosa. O Exército da Salvação, parceiro de longa data de Eugenie, declarou estar “acompanhando de perto essa história”. Já a Outward Bound confirmou o envolvimento de Beatrice em sua função honorária.

Negócios e Laços Familiares: Navegando as Águas Turbulentas

Além do trabalho filantrópico, Beatrice fundou a consultoria BY-EQ e Eugenie é diretora da galeria de arte Hauser & Wirth. A galeria enfrenta contestações judiciais relacionadas a supostas violações de sanções russas, embora negue veementemente as acusações, sem indícios de irregularidade por parte de Eugenie.

Beatrice tem participado de eventos de investimento e aparecido em materiais promocionais de bancos, demonstrando envolvimento em atividades comerciais. Ela e seu marido, Edoardo Mapelli Mozzi, também estiveram presentes em eventos relacionados a negócios de seu pai, o que leva analistas como Palmer a sugerir uma possível confusão entre o papel real e o lucro pessoal, com Beatrice utilizando seu status e contatos para construir sua carreira.

Ambas as princesas possuem maridos com fortunas e independência financeira. Edoardo Mapelli Mozzi é um promotor imobiliário, enquanto Jack Brooksbank atua nas áreas de hotelaria e marketing. As princesas residem em propriedades reais, pagando aluguel, mas a transparência sobre esses valores tem sido questionada, especialmente após a polêmica em torno do contrato de arrendamento de Andrew em sua antiga mansão.

O Caminho a Seguir: Lealdade Familiar e Distanciamento Público

Apesar das complexidades, as princesas mantêm contato privado com seus pais e demonstram lealdade. No entanto, a estratégia pública tem sido de se distanciar para evitar que a “toxicidade” se espalhe. A presença de Beatrice e Eugenie em eventos reais, como a missa de Natal em Sandringham, indica que elas continuam sendo consideradas membros da Família Real, recebendo apoio do Rei Charles III.

A participação delas ao lado do Rei e da Rainha na caminhada para a igreja em Sandringham pode ser um sinal de como a instituição pretende lidar com as consequências do caso Epstein. A Família Real parece estar protegendo as princesas, permitindo que elas mantenham seus títulos e sua posição na linha de sucessão, mas a necessidade de se desvincular da sombra de seus pais é clara para que continuem ativas e relevantes na realeza.