Conheça as guardiãs da folia manauara que celebram a tradição e a renovação nas bandas de rua neste fim de semana.

O Carnaval de Manaus pulsa com a energia de mulheres que transformam a festa em uma poderosa expressão de identidade cultural. Neste fim de semana, as tradicionais bandas de rua da cidade serão palco para a celebração de musas que carregam consigo não apenas o brilho e a animação, mas também a memória, a resistência e a renovação da folia amazonense.

Emyle Araúju, porta-estandarte da Banda da Bica há 16 anos, e Tamires Carvalho e Débora Silva, rainhas da Banda do Boulevard, são exemplos dessa força feminina. Elas representam a continuidade de uma herança cultural, ao mesmo tempo em que trazem a vitalidade da juventude para manterem viva a essência do Carnaval de rua. Suas histórias se entrelaçam com a paixão pela festa, a dedicação e o compromisso em preservar um patrimônio popular.

Essas mulheres, com suas trajetórias únicas, demonstram como o Carnaval vai além da celebração momentânea, tornando-se um elo entre gerações e um símbolo de resistência. Conforme informação divulgada pelas próprias foliãs, elas compartilham em comum uma relação profunda com o Carnaval, que se conecta com memórias afetivas, identidade cultural e a força da resistência popular nas ruas de Manaus.

Emyle Araúju: 16 Anos de Resistência com o Estandarte da Banda da Bica

Aos 41 anos, Emyle Araúju personifica a tradição e a resistência na Banda da Bica. Com uma história familiar intrinsecamente ligada ao samba e à fundação de escolas de samba em Manaus, ela cresceu imersa no universo carnavalesco. A experiência vivida no Rio de Janeiro, em contato com os blocos de rua, fortaleceu ainda mais seu amor pela folia.

“O Carnaval faz parte da minha vida desde antes de eu nascer. Meu pai sempre esteve envolvido com samba e com a fundação de escolas de samba em Manaus, e eu cresci nesse ambiente. Vivi Carnaval no Rio de Janeiro, com blocos de rua, e quando voltei para Manaus encontrei na Banda da Bica um lugar de pertencimento. Desde a primeira vez que fui, ainda muito jovem, nunca mais deixei de participar. O Carnaval, para mim, é a maior representação cultural do que significa ser brasileira”, afirmou Emyle.

Sua ascensão ao posto de porta-estandarte foi um processo natural, impulsionado pelo envolvimento e reconhecimento da comunidade. “Eu costumo dizer que virei porta-estandarte por pressão do povo e pelo contexto. Eu sempre estive ali, ajudando, dançando, conhecendo todo mundo, até que um ano a antiga porta-estandarte não apareceu e me entregaram o estandarte. No começo foi quase uma brincadeira, mas a cada ano eu fui entendendo a responsabilidade e levando isso mais a sério”, relembrou.

Para Emyle, manter a Banda da Bica ativa é um ato de preservação da essência do Carnaval de rua. “Fazer a Bica é um ato de resistência. A banda é um patrimônio do verdadeiro folião. Se a gente não mantiver as bandas originais na essência, elas vão morrer. Hoje tudo é muito democrático, muita coisa se mistura, e a essência acaba se perdendo. Estar na Bica é lembrar de tudo o que os nossos antepassados viveram para que hoje a gente pudesse simplesmente brincar Carnaval. Eu penso muito nos meus filhos e no que eles vão viver no futuro”, disse.

A preparação de Emyle evoluiu com o tempo, focando agora em cuidados físicos e logísticos para poder estar inteira na rua, sem perder a paixão pela folia. “Hoje minha preparação é diferente. Eu penso muito mais na parte física, na saúde, na logística da casa, nos meus filhos, para poder estar inteira na rua. Antes eu ficava o dia inteiro na banda, agora preciso de outros cuidados, mas a paixão continua a mesma”, contou.

Tamires Carvalho e Débora Silva: Gerações de Rainhas na Banda do Boulevard

A Banda do Boulevard se destaca por reunir duas gerações de rainhas que compartilham a mesma paixão pelo Carnaval manauara. Tamires Carvalho, de 35 anos, vive a festa como uma herança familiar, acompanhando os pais em escolas de samba desde a infância e construindo sua trajetória como passista antes de assumir o posto de rainha.

“Estar como rainha da Banda do Boulevard é muito especial, porque aqui não é só uma banda, é uma família. A gente se prepara o ano todo, principalmente com cuidado com o corpo e com a alimentação, porque o Carnaval exige muito da gente”, afirma Tamires, destacando que a preparação vai além da estética, envolvendo disciplina e resistência.

Representando a nova geração, Débora Silva, de 22 anos, cresceu respirando folia. Ela iniciou sua jornada no Carnaval ainda criança, aos seis anos, seguindo os passos da avó e da mãe. “O Carnaval passou da minha avó para a minha mãe e da minha mãe para mim. É um sentimento muito grande, que corre no sangue. Eu espero mais pelo Carnaval do que por qualquer outra coisa, porque quando esse período chega, tudo em mim muda, dá vontade de dançar, de viver isso intensamente”, conta Débora.

Pela primeira vez como rainha da Banda do Boulevard, Débora ressalta que a experiência difere das escolas de samba, trazendo uma nova perspectiva para sua vivência carnavalesca.

Carnaval de Rua em Manaus: Um Legado de Mulheres e Resistência Cultural

As histórias de Emyle, Tamires e Débora ilustram a vitalidade do Carnaval de rua em Manaus. Elas são a prova de que a festa se mantém viva graças à dedicação de mulheres que transformam a folia em memória, identidade e resistência cultural.

Neste fim de semana, elas prometem contagiar as ruas de Manaus com muito brilho, samba no pé e a força de um legado construído por gerações. São elas que garantem que o Carnaval continue sendo uma das maiores e mais vibrantes expressões populares da capital amazonense, celebrando a alegria e a cultura que correm nas veias da cidade.

A Importância da Banda da Bica e do Boulevard para a Cultura Manauara

A Banda da Bica e a Banda do Boulevard não são apenas eventos de Carnaval, mas sim patrimônios culturais de Manaus. Elas representam a resistência de um Carnaval autêntico, que valoriza a história e a tradição, ao mesmo tempo em que se abre para novas energias e perspectivas.

A participação de porta-estandartes e rainhas como Emyle, Tamires e Débora é fundamental para manter essa chama acesa. Elas inspiram novas gerações, conectam o passado ao presente e asseguram que a magia do Carnaval de rua continue a encantar e a unir a comunidade, celebrando a identidade e a alegria do povo manauara.