Fujiyoshida, Japão, cancela festival das cerejeiras em flor devido ao comportamento inaceitável de turistas

A tradicional e esperada celebração das cerejeiras em flor em Fujiyoshida, cidade japonesa próxima ao icônico Monte Fuji, foi cancelada este ano. A decisão drástica foi tomada pelas autoridades locais em resposta ao turismo excessivo e ao mau comportamento de visitantes, que transformaram a beleza natural em um problema de convivência para os moradores.

O fluxo intenso de turistas, especialmente durante a primavera, tem gerado congestionamentos crônicos e acúmulo de lixo. Mais preocupante, no entanto, são relatos de invasão de propriedades privadas, com alguns visitantes chegando a defecar em jardins particulares, conforme denunciado por residentes locais.

Diante dessa situação insustentável, que ameaça a tranquilidade e a dignidade dos cidadãos, o governo municipal optou por suspender o festival que acontecia há uma década. A medida visa proteger as condições de moradia e a paz dos habitantes de Fujiyoshida, conforme divulgado pelo prefeito Shigeru Horiuchi.

Parque Arakurayama Sengen: de atração a ponto de conflito

O parque Arakurayama Sengen, conhecido por seu pagode e pela vista deslumbrante do Monte Fuji emoldurado pelas cerejeiras, tornou-se um dos principais focos do problema. Em 2016, as autoridades abriram os portões do parque para turistas, buscando promover as belezas da região e criar uma atmosfera vibrante. A iniciativa, contudo, atraiu um número de visitantes que aumentou exponencialmente.

Atualmente, a cidade, com uma população estimada em 44 mil habitantes, recebe cerca de 10 mil turistas diariamente durante o pico da floração. Esse volume excede a capacidade de recepção da cidade, culminando no chamado turismo excessivo, como apontado pelo governo municipal.

Os relatos sobre o comportamento inadequado incluem turistas que abriam portas de casas sem permissão para usar banheiros, invadiam quintais, sujando-os e, em casos extremos, defecando neles, gerando transtornos e revolta entre os moradores.

Medidas drásticas contra o turismo descontrolado

O cancelamento do festival em Fujiyoshida não é um caso isolado de autoridades japonesas tomando medidas contra o mau comportamento turístico. Em 2024, a cidade de Fujikawaguchiko instalou uma grande barreira escura em um dos pontos mais fotografados do Monte Fuji para impedir que turistas mal-intencionados tirassem fotos e causassem transtornos, como descarte irregular de lixo e estacionamento ilegal.

Essas ações refletem uma crescente preocupação com os impactos negativos do turismo em massa, especialmente em locais de beleza natural e significado cultural. O Japão busca um equilíbrio entre receber visitantes e preservar a qualidade de vida de seus cidadãos e o ambiente.

Outros destinos adotam medidas para controlar multidões

O problema do turismo excessivo e do comportamento inadequado de visitantes não se restringe ao Japão. Na Itália, cidades como Roma e Veneza têm implementado novas taxas para controlar o fluxo de turistas. Em Roma, um ingresso de 2 euros foi introduzido para acessar a área de observação da Fontana di Trevi, visando controlar o número de pessoas e arrecadar fundos para a manutenção do monumento.

Veneza, por sua vez, começou a cobrar taxas de entrada para visitantes diurnos em dias de maior movimento, entre abril e junho. A cobrança varia de 5 a 10 euros, dependendo da antecedência da reserva, em uma tentativa de gerenciar a superlotação e os impactos na cidade histórica.