Amazonas sob Fogo: Risco de Desmatamento Ameaça 18% da Amazônia em 2026
O estado do Amazonas se encontra em uma posição de alerta máximo em relação ao desmatamento na Amazônia, com projeções indicando que concentrará 18% de toda a área sob risco de devastação na região até 2026. A plataforma de inteligência artificial PrevisIA aponta que cerca de 1.000 km² do território amazonense estão em perigo iminente, um dado alarmante que exige atenção imediata.
A situação é particularmente crítica em dois municípios localizados no sul do estado, que compõem a chamada região da Amacro. Essas cidades estão entre as 10 com maior índice de risco, evidenciando a pressão exercida pela expansão agrícola sobre ecossistemas vitais. A PrevisIA, lançada em 2021 pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, utiliza IA para mapear e prever áreas ameaçadas, fornecendo dados cruciais para ações de prevenção.
A análise da plataforma considera diversas variáveis, como a presença de estradas, desmatamento prévio, proximidade a áreas protegidas e rios, além de fatores socioeconômicos. Essa metodologia permite um diagnóstico preciso, como destaca Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon: “A análise estadual é fundamental para que os órgãos competentes possam atuar em defesa da floresta. No caso do Amazonas, os municípios de Apuí e Lábrea são estratégicos para conter o avanço da devastação”. Conforme informação divulgada pela plataforma PrevisIA, a pressão se concentra em áreas de expansão agrícola e próximas a vias de acesso, onde cerca de 95% do desmatamento ocorre a até 5,5 km de uma estrada desde 2020.
Amacro: Epicentro da Pressão Sobre a Floresta
A região da Amacro, conhecida por ser uma fronteira agrícola em expansão, tem se tornado um ponto de atenção devido ao seu avanço sobre áreas florestais. Estudos anteriores, como o identificado pelo Greenpeace, já apontavam para a existência de planos de manejo que resultaram na derrubada de extensas áreas florestais na junção de três estados amazônicos, com uma parte significativa desses planos localizados em terras públicas federais.
Terras Indígenas e Unidades de Conservação Sob Ameaça
O risco de desmatamento no Amazonas não se limita a áreas comuns, estendendo-se também a territórios de grande importância ecológica e cultural. O levantamento da PrevisIA indica que 357 km² em terras indígenas e 598 km² em unidades de conservação estaduais estão sob risco. Esses dados reforçam a urgência de medidas de proteção específicas para salvaguardar esses ecossistemas e as comunidades que neles habitam.
PrevisIA: Ferramenta Estratégica para Combate ao Desmatamento
A plataforma PrevisIA representa um avanço significativo na luta contra o desmatamento. Ao analisar um complexo conjunto de dados, a ferramenta consegue identificar com alta precisão as áreas mais vulneráveis, permitindo que órgãos ambientais e de fiscalização direcionem seus esforços de forma mais eficaz. A capacidade de prever onde o desmatamento tem maior probabilidade de ocorrer é crucial para a implementação de políticas de conservação mais assertivas e preventivas.
O Cenário Geral da Amazônia em Risco
Em um panorama mais amplo, a PrevisIA estima que 1.686 km² da Amazônia estarão sob risco muito alto ou alto em 2026, representando 31% do total de áreas ameaçadas na região. Outras porções significativas aparecem em risco moderado (20%) e baixo ou muito baixo (50%). O foco do Amazonas nesse cenário preocupante sublinha a necessidade de ações coordenadas e intensificadas para garantir a preservação da maior floresta tropical do mundo.