O pré-candidato a deputado estadual Roberto Cidade Pai, conhecido como Robertão, começou a focar suas postagens em recomendações de livros e filmes, deixando de lado o tom de campanha tradicional.

A nova abordagem privilegia um perfil mais cultural e intelectual nas redes, gesto que soa menos como descoberta e mais como reposicionamento calculado para a disputa eleitoral.

A ligação familiar com o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade Filho, permanece central, e a mudança parece buscar distanciamento do debate de propostas, conforme informação divulgada pelo Amazonas

O que muda na comunicação de Robertão

Com postagens sobre literatura e cinema, Robertão tenta criar um cenário de afinidade cultural com o eleitorado, transformando seu perfil em uma espécie de vitrine de gostos e referências.

Esse tipo de conteúdo evita perguntas difíceis, e direciona a atenção para temas neutros e agradáveis, uma estratégia comunicacional que prioriza empatia sobre confrontos políticos.

Na avaliação de observadores, trata-se de uma tentativa de suavizar a imagem pública, aproximando-se do que foi visto em outros casos nacionais, com uso de culturas e memórias pessoais como instrumento de persuasão.

Comparação com a fórmula de Sérgio Cabral

O movimento de Robertão lembra a estratégia adotada pelo ex-governador Sérgio Cabral, que transformou suas redes em um diário cultural após deixar a prisão, com o objetivo de humanizar sua narrativa pessoal.

Na cobertura sobre a mudança de tom nas redes, foi apontado que, nesse tipo de reposicionamento, “é a política do ‘bom gosto’ substituindo a política pública, como se citar um livro fosse suficiente para sugerir preparo ou compromisso com a coisa pública” , conforme informação divulgada pelo Amazonas.

Limites e conexões políticas

Apesar do verniz cultural, a biografia política de Robertão não desaparece. “A ligação direta com o comando da Aleam, por exemplo, segue sendo um dado central de sua trajetória” , segundo o relato disponível sobre a mudança de comunicação.

Isso significa que, por mais que a comunicação tente deslocar o foco, o contexto familiar e as alianças locais continuam a moldar a leitura pública sobre o candidato.

Como o eleitor deve reagir

O sucesso da estratégia depende da percepção do eleitor, e no Amazonas a memória e o humor popular têm peso. “o eleitor amazonense, conhecido por sua memória seletiva e humor afiado, costuma perceber rapidamente quando a espontaneidade parece ensaiada demais” , alerta a análise sobre o caso.

Resta saber se a abordagem cultural de Robertão será suficiente para alterar o debate eleitoral, ou se ficará apenas como um verniz que não altera questões centrais sobre propostas e histórico político.