Técnica de Enfermagem Ignora Ordem Judicial de Suspensão no Amazonas

O caso Benício, que chocou o país em novembro de 2025, volta a ganhar destaque com uma aparente desobediência a uma decisão judicial. A técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia, envolvida no atendimento que levou à morte do bebê, continua com seu registro profissional ativo no Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM).

Essa situação contraria diretamente uma determinação judicial proferida em dezembro de 2025, que estabeleceu a suspensão do exercício profissional por um ano para a técnica. A medida judicial visava garantir o cumprimento das investigações sobre a morte de Benício, ocorrida após a administração de adrenalina na veia.

A divergência no cumprimento da ordem judicial foi constatada após consulta aos sistemas dos conselhos regionais. Enquanto o registro da médica responsável pelo caso aparece como suspenso, em conformidade com a decisão, o da técnica de enfermagem permanece ativo. O g1 buscou esclarecimentos do Coren-AM sobre o ocorrido e aguarda retorno.

Entenda o Caso Benício

Benício faleceu em 23 de novembro de 2025, após receber adrenalina intravenosa durante um atendimento hospitalar. Segundo as investigações, a via e a dosagem prescritas pela médica não eram adequadas para o quadro clínico da criança. Logo após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.

De acordo com o pai, Bruno Freitas, Benício foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. A médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e, crucialmente, três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos. A família chegou a questionar a técnica de enfermagem sobre a prescrição, mas a aplicação ocorreu.

Após a primeira dose, o quadro de Benício piorou subitamente, levando a equipe a transferi-lo para a sala vermelha. A oxigenação da criança caiu drasticamente para cerca de 75%. Uma segunda médica foi acionada, e um leito de UTI foi solicitado. Benício foi transferido para a UTI no início da noite de sábado.

Medidas Judiciais e Divergência no Cumprimento

Em dezembro de 2025, o juiz Fábio Olintho de Souza determinou que o Conselho Regional de Medicina (CRM-AM), o Coren-AM, e as secretarias estadual e municipal de saúde fossem oficiados para assegurar o cumprimento da suspensão. Além da suspensão do exercício profissional por 12 meses, prorrogáveis, outras medidas foram impostas às profissionais.

As profissionais deveriam comparecer mensalmente em juízo para justificar suas atividades e manter uma distância mínima de 200 metros da família da vítima e das testemunhas. A consulta aos sistemas revelou que o registro da médica Juliana Brasil Santos está suspenso, mas o da técnica Raiza Bentes Praia segue ativo, indicando um aparente descumprimento da decisão.

Investigação Interna e Afastamento no Hospital

Em nota à época, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções. O hospital também iniciou uma investigação interna por meio da Comissão de Óbito e Segurança do Paciente para apurar os fatos relacionados à morte de Benício.

A situação levanta sérias questões sobre a eficácia e o cumprimento das decisões judiciais no sistema de saúde, especialmente em casos de grande repercussão como o de Benício. A continuidade do registro ativo da técnica de enfermagem no Coren-AM, em desacordo com a ordem judicial, gera preocupação e exige esclarecimentos urgentes.