Brasil lança programa ambicioso para impulsionar comércio e reduzir custos logísticos com países vizinhos e Ásia

O governo federal deu um passo significativo para reconfigurar as rotas comerciais do país com a oficialização do Programa Rotas de Integração Sul-Americana. A iniciativa tem como objetivo principal a redução do tempo e do custo no transporte de mercadorias, beneficiando não apenas o intercâmbio com nações sul-americanas, mas também com a Ásia.

A proposta se alinha a uma agenda de integração regional, fortalecida após reuniões de líderes sul-americanos em 2023. O programa busca viabilizar ações concretas para integrar infraestruturas em diversas esferas, incluindo a física, digital, social, ambiental e cultural entre os países da América do Sul. A iniciativa foi detalhada em portaria assinada pela ministra Simone Tebet e publicada no Diário Oficial da União.

Essa nova abordagem estratégica surge como uma resposta a um histórico de priorização do comércio brasileiro com a Europa e os Estados Unidos, via Atlântico. Com o deslocamento da produção para as regiões Centro-Oeste e Norte do país e o aumento do comércio com a Ásia nas últimas décadas, a necessidade de novas rotas de integração se tornou evidente. Conforme informação divulgada pelo governo, o projeto oficializa cinco rotas estratégicas, definidas após consulta aos 11 estados brasileiros que compartilham fronteiras com países sul-americanos.

As Cinco Rotas Estratégicas para a Integração

O cerne do Programa Rotas de Integração Sul-Americana reside na definição de cinco rotas estratégicas, pensadas para otimizar o fluxo de mercadorias e a conectividade regional. Essas rotas foram cuidadosamente desenhadas com base nas particularidades e necessidades dos 11 estados brasileiros que fazem fronteira com nações vizinhas.

Detalhes das Novas Rotas de Integração

A primeira rota, denominada Ilha das Guianas, abrange áreas do Norte brasileiro conectando-se à Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela. A rota Amazônica foca na integração do Norte do Brasil com Colômbia, Equador e Peru. Já o Quadrante Rondon visa conectar o Norte e Centro-Oeste do Brasil com Peru, Bolívia e Chile.

A rota Bioceânica de Capricórnio estende-se pelo Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, estabelecendo conexões com Paraguai, Argentina e Chile. Por fim, a rota Bioceânica do Sul concentra-se no Sul do Brasil, integrando-se com Uruguai, Argentina e Chile. Essas vias são fundamentais para diversificar e fortalecer as correntes de comércio do Brasil.

Foco em Multimodalidade e Conectividade

O programa prevê a realização de estudos técnicos e pesquisas aplicadas em diversas áreas cruciais para o sucesso das novas rotas. Entre os focos estão a multimodalidade de transportes, buscando a combinação eficiente de diferentes modais, e a conectividade, abrangendo aspectos digitais e energéticos. A ideia é fomentar uma unidade geoeconômica, explorar a bioceanidade e analisar perspectivas fronteiriças e não fronteiriças no território nacional.

Impacto na Logística e Economia Brasileira

A implementação das Rotas de Integração Sul-Americana tem o potencial de gerar um impacto significativo na logística brasileira. A redução de custos e tempo no transporte de mercadorias pode tornar os produtos nacionais mais competitivos no mercado internacional, especialmente na Ásia, e fortalecer os laços comerciais com os países da América do Sul. A iniciativa representa um avanço na busca por um comércio mais eficiente e integrado no continente.