Príncipe Andrew e Jeffrey Epstein são acusados de pedir atos sexuais a dançarina exótica, segundo carta de advogados

Uma carta preparada pelos advogados de uma mulher não identificada, divulgada como parte dos arquivos de Jeffrey Epstein, alega que o Príncipe Andrew e o falecido criminoso sexual pediram que ela realizasse diversos atos sexuais em uma mansão de Epstein na Flórida. A mulher, que trabalhava como dançarina exótica, teria sido tratada como uma prostituta e não recebeu o pagamento prometido por sua apresentação.

Segundo o documento, a oferta inicial era de US$ 10 mil (aproximadamente R$ 52,6 mil) para dançar. No entanto, após a performance, o Príncipe Andrew e Epstein teriam solicitado um ménage à trois. A carta, datada de março de 2011, também menciona que a mulher foi informada sobre outras jovens na festa, algumas aparentando ter apenas 14 anos, em roupas provocantes.

A equipe jurídica da dançarina afirma que ela foi coagida a manter o suposto encontro em sigilo em troca de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,3 milhão). Contatado pela BBC News, o Príncipe Andrew sempre negou ter cometido qualquer ilegalidade. Este novo lote de documentos adiciona mais detalhes às controversas relações do Príncipe com Epstein.

Detalhes do alleged encontro em mansão de Epstein

A carta descreve que a dançarina, juntamente com outras profissionais do “Clube de Striptease de Raquel”, foi levada de carro até a residência de Epstein em West Palm Beach. Lá, elas receberam a oferta de US$ 10 mil para se apresentarem. Ao chegar, a mulher foi levada para o andar superior, onde Epstein a apresentou ao Príncipe Andrew.

Conforme relatado pelos advogados, após a dança, onde a mulher se despiu até ficar apenas de sutiã e calcinha, Epstein e o Príncipe Andrew fizeram o pedido de ménage à trois. A carta relata que, após os homens ficarem satisfeitos, a dançarina foi convidada a viajar com eles para as Ilhas Virgens, um convite que ela recusou.

Do valor total prometido de US$ 10 mil, a mulher teria recebido apenas US$ 2 mil (aproximadamente R$ 10,5 mil). A carta explica que ela não buscou seus direitos anteriormente por sentir vergonha das circunstâncias, mas que foi tratada como uma prostituta apesar de estar trabalhando como dançarina exótica.

Outras revelações dos arquivos de Epstein envolvem jantares e viagens

Os arquivos divulgados também incluem e-mails que indicam que Epstein organizou um jantar em Londres em agosto de 2010 entre o Príncipe Andrew e uma mulher russa de 26 anos. A mulher, em e-mails posteriores, agradeceu a Epstein pela “noite incrível” e descreveu sua viagem a Londres como uma “aventura especial”.

Em um dos e-mails, Epstein sugere a Andrew que ele poderia gostar de jantar com uma amiga, descrevendo-a como “inteligente, bonita e de confiança”. O Príncipe respondeu com interesse, perguntando se havia alguma informação “útil” sobre ela. A correspondência ocorreu dois anos após a condenação de Epstein por solicitar prostituição de uma menor.

Os e-mails detalham a organização do encontro, com a confirmação da data e a troca de informações de contato. Embora os e-mails não confirmem explicitamente a realização do jantar, as respostas da mulher russa indicam que ela teve uma experiência positiva em Londres, agradecendo a Epstein por sua “aventura muito especial”.

Príncipe Andrew sob pressão e novas acusações

O Príncipe Andrew tem enfrentado pressão crescente para fornecer mais informações sobre seu relacionamento com Jeffrey Epstein. O último lote de documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA inclui fotografias que parecem mostrar o ex-príncipe ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão, ambos totalmente vestidos.

Ele é acusado de abuso sexual por Virginia Giuffre, que alega ter sido vítima de tráfico por Epstein quando era adolescente. O Príncipe Andrew nega veementemente todas as acusações e chegou a um acordo financeiro com Giuffre em 2022 para encerrar um processo civil relacionado a abuso sexual. Os novos documentos continuam a levantar questões sobre seu envolvimento com Epstein.