Homens condenados por estupros com objetivo de transmitir HIV a menores em Manaus; penas somam mais de 20 anos.

A Justiça de Manaus proferiu sentenças que ultrapassam 20 anos de prisão em regime fechado para dois homens, de 21 e 31 anos, envolvidos na chamada Operação Carimbadores. A dupla foi condenada por crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes, com o agravante de compartilharem informações sobre a prática de relações sexuais desprotegidas com o intuito de transmitir o vírus HIV.

A investigação, que teve início em 2022, apontou que os criminosos se autodenominavam ‘carimbadores’. Eles utilizavam essa alcunha para se referir à prática de estuprar menores com o objetivo de disseminar o HIV, conforme divulgado pelas autoridades.

As penas foram anunciadas nesta terça-feira (3) e, embora a decisão caiba recurso, a condenação representa um avanço na luta contra crimes hediondos. Conforme informação divulgada pelas autoridades policiais, a dupla foi presa entre maio e junho de 2024, após uma investigação minuciosa que desvendou a rede de crimes.

Detalhes da Investigação e Condenação

Um dos réus recebeu a pena de 12 anos, três meses e dez dias de prisão. O outro foi sentenciado a nove anos, cinco meses e dez dias de reclusão. A decisão foi assinada pelo juiz Rosberg de Souza Crozara.

Durante o processo, a análise de celulares dos acusados revelou a presença de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes, o que foi confirmado por laudos do Instituto de Criminalística. Os homens foram condenados com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Os crimes pelos quais foram condenados incluem a divulgação e posse de material pornográfico infantil, além de associação criminosa, conforme previsto no artigo 288 do Código Penal. A gravidade dos atos chocou as autoridades e a sociedade.

Reincidência e Falha Policial

Curiosamente, os dois homens já haviam sido presos em maio sob suspeita de cometerem os crimes. No entanto, foram soltos no fim de semana anterior à nova prisão, após a Polícia Civil do Amazonas ter esquecido o prazo do fim da prisão da dupla. Um novo pedido de detenção preventiva foi rapidamente apresentado, resultando na recaptura dos investigados.

A delegada Joyce Coelho, à época titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), informou que as investigações começaram em 2022, a partir de uma denúncia anônima vinda de uma assistência técnica de celulares. O denunciante relatou ter encontrado em um aparelho uma conversa entre dois homens que admitiam a prática de estupros e abusos contra menores.

Intensificação das Averiguações

As investigações foram retomadas com mais força em dezembro de 2023, após a Polícia Federal receber uma denúncia similar. Com a intensificação das averiguações, a polícia conseguiu identificar os dois homens como os principais suspeitos de integrar o grupo de ‘carimbadores’.

As trocas de mensagens entre os suspeitos revelaram o compartilhamento de conteúdo pornográfico e informações sobre os abusos sexuais praticados contra crianças e adolescentes, com o objetivo de transmitir o vírus HIV ou Aids (PVHA). A tecnologia foi fundamental para a elucidação do caso.

“Tudo indica que essas conversas, esses grupos, realmente são feitos a partir do aparelho celular. Então, essa operação foi bastante exitosa, inclusive no sentido de confirmar a autoria dos fatos. Eles de fato são os interlocutores dessas conversas”, afirmou a titular da Depca, ressaltando a importância das provas digitais na condenação.