Haddad indica Guilherme Mello para o Banco Central, mas decisão final é de Lula

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira (3) ter sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o nome de Guilherme Mello, seu secretário de Política Econômica, para ocupar uma vaga na diretoria do Banco Central.

A indicação, segundo Haddad, ocorreu há cerca de três meses. Em entrevista à BandNews FM, o ministro detalhou os nomes que apresentou a Lula, incluindo o economista professor em Cambridge, Tiago Cavalcanti, e o próprio Guilherme Mello, que já trabalha com ele há três anos e tem realizado um “excelente trabalho”.

No entanto, Haddad enfatizou que o presidente Lula ainda não tomou uma decisão definitiva. O ministro explicou que o processo decisório envolve ouvir outras pessoas e que a conversa sobre o assunto com Lula e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ainda não ocorreu conforme planejado.

Mercado Financeiro Reage com Desconfiança à Possível Indicação

O possível nome de Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central tem gerado repercussão e desconfiança no mercado financeiro. A notícia, que circulou em reuniões matinais de instituições financeiras conhecidas como “morning calls” na Faria Lima, foi o assunto mais comentado.

A forte ligação de Mello com o PT, inclusive com participação na formulação do plano econômico do governo Lula, é vista como um sinal de que sua eventual nomeação poderia indicar uma maior influência do partido e do governo no órgão monetário.

Haddad Critica Vazamento e Menciona Futuro Político

Fernando Haddad também criticou o vazamento da informação sobre a indicação, considerando-o prejudicial ao processo decisório. Ele ressaltou que, tradicionalmente, o Ministério da Fazenda e o Banco Central mantêm discrição sobre esses temas até a confirmação presidencial.

Em outro ponto da entrevista, Haddad abordou seu próprio futuro político. Ele afirmou que ainda não sabe quem será seu sucessor no Ministério da Fazenda e reiterou seu desejo de colaborar com o programa de campanha do presidente Lula. Nos bastidores, há uma pressão para que Haddad se candidate a um cargo majoritário em São Paulo, uma posição defendida por lideranças do PT, como a ministra Gleisi Hoffmann.