Amazônia em Risco: Áreas Úmidas Fundamentais Sob Ameaça Constante de Atividades Humanas
As majestosas áreas úmidas da Amazônia, incluindo as extensas várzeas e os enigmáticos igapós, estão entre os ecossistemas mais vulneráveis da região. Uma pesquisa recente, intitulada “Desafios e oportunidades para a proteção, conservação e manejo de áreas úmidas do bioma Amazônia”, publicada em janeiro deste ano, lança um alerta sobre a grave pressão exercida por hidrelétricas, garimpo e desmatamento sobre esses ambientes.
Esses ecossistemas são pilares para a rica biodiversidade amazônica, desempenham um papel crucial na regulação climática global e são essenciais para a subsistência de inúmeras comunidades tradicionais que dependem diretamente de seus recursos naturais para sobreviver.
Conforme revelado pelo estudo, desenvolvido por renomados institutos como o Imazon, ICMBio e ISA, as áreas úmidas compreendem impressionantes 18% do território amazônico. A pesquisa detalha as ameaças que pairam sobre esses locais e a urgência de ações para sua preservação, como informado pelo Imazon.
Desmatamento Acelera a Degradação dos Ecossistemas Úmidos
O avanço do desmatamento representa uma ameaça direta e crescente às áreas úmidas amazônicas. Entre 2020 e 2024, um total de 290 mil hectares desses valiosos habitats foram perdidos, evidenciando a escala do problema. Essa destruição compromete a integridade dos ecossistemas e a sobrevivência das espécies que deles dependem.
Garimpo e Poluição por Mercúrio: Uma Ameaça Invisível
O garimpo ilegal surge como outro vilão para as áreas úmidas. Amostras de peixes coletadas em municípios do Amazonas revelaram níveis de mercúrio alarmantemente superiores aos limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A exploração madeireira também exerce forte pressão sobre as várzeas, que abrigam uma das maiores diversidades biológicas do planeta, colocando em risco a saúde dos rios e das populações locais.
Sinais de Alarme: Áreas Úmidas Como Indicadores de Pontos de Não Retorno
Os pesquisadores alertam que a degradação das áreas úmidas pode ser o primeiro sintoma de que o delicado equilíbrio da Amazônia está se desestabilizando. Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon, expressa preocupação:
“Uma das hipóteses que estamos avaliando é o papel das áreas úmidas da Amazônia como o primeiro sinal de pontos de não retorno no bioma. Essas áreas podem dar o alarme de que já possamos estar cruzando um limiar de risco altíssimo”.
Esses ecossistemas são vitais para a manutenção da vida, abrigando espécies únicas de peixes e aves. Além disso, garantem a qualidade de vida das comunidades tradicionais, fornecendo água potável e sustentando atividades essenciais como a pesca. Atuam também como importantes reservatórios de carbono e filtros naturais de água, beneficiando todo o planeta.
Apesar de sua importância inestimável, o estudo aponta que apenas 53,7% das áreas úmidas amazônicas estão sob alguma forma de proteção oficial. O Amazonas conta com Sítios Ramsar, como o Mosaico do Rio Negro, o maior do mundo com 12 milhões de hectares, reconhecidos internacionalmente por sua relevância na conservação da biodiversidade e na luta contra as mudanças climáticas.
Cícero Augusto, analista GIS do ISA, reforça a necessidade de proteção:
“Destinar áreas para conservação, em especial as áreas úmidas, seria fundamental porque esses territórios sustentam processos ecológicos essenciais para a Amazônia. Em um contexto de mudanças climáticas, ignorar o papel das áreas úmidas aumenta a vulnerabilidade da Amazônia e das populações que dependem desses territórios”.