Governo Trump Determina Uso Obrigatório de Câmeras Corporais por Agentes do ICE em Minneapolis

Em uma resposta direta aos crescentes protestos e à controvérsia em torno de ações violentas, o governo Trump anunciou a distribuição imediata de câmeras corporais para todos os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em serviço na cidade de Minneapolis. A medida visa aumentar a transparência e a responsabilização das operações.

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, confirmou a decisão, afirmando que a iniciativa será gradualmente expandida para todo o país à medida que os recursos se tornarem disponíveis. Esta ação surge em meio a uma onda de manifestações que tomaram as ruas de Minneapolis e de outras cidades americanas.

Os protestos foram intensificados após as mortes de dois civis, Renee Good e Alex Pretti, em confrontos com agentes do ICE. A população local e ativistas de direitos civis têm exigido justiça e mudanças nas táticas agressivas da agência federal de imigração. Conforme informação divulgada pela própria secretária Noem, a distribuição das câmeras é uma resposta a essa pressão pública.

Protestos e Reações Governamentais Intensificam o Debate

Milhares de pessoas têm marchado em Minneapolis, mesmo diante de temperaturas extremas de -17°C, expressando sua insatisfação com as políticas de imigração do governo Trump e com a conduta dos agentes do ICE. Cartazes e discursos têm sido direcionados contra o presidente e a agência, cujos métodos de captura e deportação de imigrantes não regularizados têm sido amplamente contestados.

O caso de Alex Pretti, um enfermeiro que foi baleado dez vezes por agentes do ICE em 24 de janeiro, gerou particular indignação. O presidente Donald Trump, em sua plataforma Truth Social, classificou Pretti como um “encrenqueiro”, referindo-se a um vídeo viral que mostra o enfermeiro resistindo à prisão. Esta declaração, no entanto, não arrefeceu os ânimos dos manifestantes.

A mobilização em Minneapolis ganhou o apoio de figuras públicas, como o lendário músico Bruce Springsteen, que compôs e cantou uma música em homenagem às vítimas durante um show na cidade. A repercussão das mortes e dos protestos se espalhou por diversas outras cidades dos Estados Unidos, evidenciando um descontentamento generalizado.

Investigações e Prisões Marcadas por Controvérsias

Em resposta às preocupações com a conduta dos agentes, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou a abertura de uma nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, focada na possível violação de seus direitos fundamentais. O departamento ressaltou que este é um procedimento “padrão” em casos como este.

Antes de Pretti, Renee Good, uma mãe de 37 anos, também foi morta por um agente do ICE em 7 de janeiro. A continuidade das mortes e a repressão aos protestos têm levado a acusações de brutalidade policial e a um clima de tensão crescente entre as autoridades e a população.

A situação se agravou com a prisão de jornalistas que cobriam os protestos. A procuradora-geral Pam Bondi comemorou a supervisão pessoal da prisão de Don Lemon, ex-âncora da CNN, acusado de obstrução da liberdade religiosa por cobrir um protesto em uma igreja em Minnesota. Outros jornalistas, incluindo um freelancer, também foram detidos, embora posteriormente liberados.

Reações e Futuro das Políticas de Imigração

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou as prisões como um “ataque flagrante” à imprensa livre. O governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, criticou as ações do governo Trump, sugerindo ironicamente que o presidente russo Vladimir Putin “ficaria orgulhoso” da situação nos Estados Unidos.

Apesar das críticas e da pressão pública, o enviado de Trump, Tom Homan, indicou que o presidente ainda pretende “prosseguir com a deportação em massa” de imigrantes. Trump, por sua vez, classificou os manifestantes como “insurgentes” e “agitadores financiados por rebeldes profissionais”, intensificando o tom de confronto.

A implementação das câmeras corporais em Minneapolis representa um primeiro passo para tentar mitigar a crise de confiança. No entanto, o futuro das políticas de imigração e a forma como o governo lidará com as manifestações e as investigações sobre a conduta de seus agentes permanecem como pontos de grande atenção e debate nacional.