Augusto Blacker Miller, ex-ministro das Relações Exteriores do Peru, faleceu em 23 de janeiro em um hospital prisional no Rio de Janeiro. Aos 80 anos, ele sucumbiu a uma parada cardiorrespiratória, segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio. Miller estava preso desde 11 de dezembro, após anos foragido da justiça internacional.

O ex-ministro peruano, que integrou a equipe do ex-presidente Alberto Fujimori na década de 1990, era procurado pela Interpol. Sua prisão no Brasil ocorreu após um longo período em que seu paradeiro era desconhecido, desde 2018. Ele foi detido pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, em uma operação conjunta que envolveu o Núcleo de Cooperação Internacional da PF e o Setor de Capturas Internacionais de Brasília.

Miller foi condenado na Albânia por um caso de fraude financeira. As autoridades albanesas o sentenciaram a oito anos de prisão em 2017 por irregularidades na construção de um incinerador. As investigações apontaram que ele prometeu um investimento que não se concretizou, configurando a fraude.

Sua trajetória de fugas e detenções é complexa. Em 2009, Miller chegou a ser detido nos Estados Unidos, na Flórida, mas foi liberado. Posteriormente, seguiu para a Albânia, onde foi preso pela Interpol em 2013, sendo solto no dia seguinte. O Peru também o condenou em 2007, juntamente com outros dez ex-ministros do governo Fujimori, a penas que variavam de 4 a 10 anos de prisão, em um caso de fraude financeira.

Uma carreira marcada por escândalos e fuga da justiça

Augusto Blacker Miller ocupou o cargo de chanceler peruano em 1991. Após deixar a vida pública, ele se mudou para Miami, nos Estados Unidos, em 2002, com sua família. No entanto, sua vida em liberdade foi interrompida por acusações e condenações por crimes financeiros em diferentes países.

Prisão no Brasil encerra anos de foragido

A prisão em dezembro passado, no Rio de Janeiro, foi um desfecho para a busca internacional por Augusto Blacker Miller. A cooperação entre as forças policiais do Brasil e as informações da Interpol foram cruciais para a captura do ex-ministro, que finalmente foi levado a um hospital prisional, onde permaneceu até seu falecimento.

O caso da Albânia e a condenação por fraude

A condenação na Albânia, em 2017, foi um dos principais motivos para a intensificação da busca por Miller. As autoridades albanesas o acusaram de prometer um investimento substancial para a construção de um incinerador, um projeto que prometia gerar energia a partir de resíduos. A falha em cumprir o prometido levou à acusação de fraude e à sentença de prisão.

O legado de um ex-ministro com passagens pela justiça internacional

A morte de Augusto Blacker Miller encerra um capítulo controverso de sua vida, marcada por cargos públicos de destaque no Peru e uma longa jornada de evasão da justiça internacional. Sua passagem pelo sistema prisional brasileiro, mesmo que breve, culminou em um desfecho trágico em um hospital penal.