Republicanoss em Encruzilhada: Flávio Bolsonaro, PSD ou Lula? Tarcísio Fora, Divisão Interna Bala

O cenário político brasileiro para 2024 apresenta um desafio complexo para o Republicanos. Com Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, fora da corrida presidencial, o partido se vê dividido entre diferentes estratégias eleitorais. A articulação do PSD por um candidato próprio e a tradicional proximidade com o governo Lula criam um ambiente de incerteza.

Essa divisão interna no Republicanos reflete não apenas as estratégias nacionais, mas também as alianças regionais construídas ao longo do mandato. Em São Paulo, por exemplo, o partido vê em Tarcísio um potencial aliado para a reeleição e, consequentemente, para um possível apoio a Flávio Bolsonaro. No entanto, em outros estados, a sigla mantém laços fortes com o governo petista.

A indefinição sobre qual caminho seguir, se a aliança com o PL de Flávio Bolsonaro, a aposta em uma candidatura do PSD, ou a manutenção do diálogo com o presidente Lula, demonstra a complexidade das negociações políticas e a busca por otimizar os resultados eleitorais em um cenário cada vez mais fragmentado. As decisões finais ainda estão em aberto, com o partido aguardando os desdobramentos das articulações até a reta final da pré-campanha. Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, o partido busca construir consensos internos para definir sua posição nas próximas eleições.

Divisão em São Paulo: O Caminho de Tarcísio e o Apoio a Flávio Bolsonaro

Em São Paulo, o Republicanos demonstra uma forte inclinação a seguir os passos do governador Tarcísio de Freitas. Deputados e vereadores da legenda veem o governador como favorito à reeleição e, por isso, consideram mais seguro o alinhamento ao posicionamento de apoio a Flávio Bolsonaro, como já externado pelo próprio Tarcísio. Essa perspectiva ganhou força com a nomeação de Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, para a Secretaria da Casa Civil.

Uma liderança do partido no estado, em condição de anonimato, afirmou à Folha que a expectativa é de que Carneiro consolide o apoio da centro-direita paulista em torno de Tarcísio. Essa visão sugere que os planos de Tarcísio para o plano nacional devem influenciar diretamente as decisões do Republicanos. No entanto, ainda há vozes dentro do partido que consideram o cenário nacional em aberto, com parlamentares paulistas expressando dúvidas sobre a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro e mantendo o desejo de ver Tarcísio na disputa presidencial.

Articulações Nacionais: O Elo com o Governo Lula e o Caso Pernambuco

Apesar da forte influência de Tarcísio em São Paulo, o cálculo político do Republicanos também considera as articulações em outros estados, que atrelam a sigla ao governo Lula. O exemplo mais proeminente é Pernambuco, reduto eleitoral do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. O ministro, que deve deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado, possui uma relação histórica com o grupo político que o apoia.

O próprio ministro Silvio Costa Filho declarou, em dezembro, que trabalharia para que os partidos do centro pudessem apoiar o projeto de reeleição do presidente Lula. Ele também mencionou ter procurado dirigentes de outras legendas para articular esse apoio, evidenciando a importância de manter pontes com o governo federal. O Republicanos, assim como o PSD, indicou ministros para o governo Lula, reforçando a dualidade estratégica do partido.

PSD em Cena: Uma Alternativa para a Centro-Direita?

O PSD, quarta maior bancada na Câmara dos Deputados, surge como um potencial articulador de uma candidatura própria, com nomes como Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Jr. cotados. Ronaldo Caiado, após sua filiação ao PSD, expressou o desejo de buscar o apoio do Republicanos para construir uma opção de centro-direita que não fosse Flávio Bolsonaro. Essa movimentação, no entanto, encontra obstáculos.

Entre os integrantes do Republicanos, a opção de apoiar o PSD é vista como remota. Além das dúvidas sobre a capacidade de uma candidatura do partido chegar ao segundo turno, a relação entre o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, passou por atritos recentes. A disputa pela presidência da Câmara em 2024, onde Kassab defendeu um nome diferente do indicado por Pereira, gerou ressentimentos, conforme relatado por Marcos Pereira à Folha de S.Paulo.

O Pragmatismo do Republicanos e o Calendário Eleitoral

O Republicanos, fundado em 2005 com raízes na Igreja Universal do Reino de Deus, tem demonstrado um crescente pragmatismo em sua trajetória política. O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, prefere aguardar a construção de consensos antes de firmar um posicionamento definitivo. Ele ressaltou que ainda “nada está certo” e que o partido precisará conversar internamente para definir o sentimento da maioria.

O calendário eleitoral, com o registro de candidaturas até 15 de agosto pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), permite ao Republicanos postergar decisões importantes para a reta final da pré-campanha. Essa margem de tempo pode ser crucial para as negociações e para a definição de uma estratégia que contemple as diversas correntes internas e os interesses regionais do partido, buscando otimizar sua performance nas próximas eleições.