Papa Leão XIV apela por trégua olímpica e paz em Milão-Cortina, em meio a tensões com EUA

Em um momento de efervescência política e social, o Papa Leão XIV fez um apelo contundente pela paz e pelo diálogo durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina. Sua mensagem ressoa em um contexto de protestos na Itália, desencadeados pela participação de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) na segurança da delegação americana.

O pontífice, norte-americano, lembrou a antiga tradição da trégua olímpica, um costume que visa suspender conflitos durante a realização dos jogos. Ele instou as pessoas em posições de autoridade a darem passos concretos em direção à desescalada de tensões e à promoção do diálogo entre os povos.

A fala do Papa surge em um cenário de forte oposição por parte de políticos italianos à presença do ICE nos Jogos. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, foi um dos mais vocais, classificando a agência como uma “milícia que mata” e expressando claramente que não são bem-vindos. Conforme divulgado pela mídia italiana, Sala declarou: “Será que podemos dizer não a Trump ao menos uma vez?” A controvérsia em torno do ICE, que atua em crimes transfronteiriços, gerou um debate acalorado sobre a segurança e a soberania italiana durante o evento esportivo internacional. A declaração do Papa Leão XIV adiciona uma camada de peso moral à crescente pressão por um ambiente de paz e cooperação.

Protestos contra o ICE marcam a chegada da delegação americana

A decisão de enviar agentes do ICE para garantir a segurança da delegação olímpica dos Estados Unidos em Milão-Cortina gerou uma onda de protestos na Itália. Manifestantes e políticos italianos expressaram veementemente sua desaprovação, considerando a presença da agência de imigração americana como inadequada e politicamente carregada. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, foi um dos críticos mais ferrenhos, classificando o ICE como uma força repressora e questionando a necessidade de sua atuação nos Jogos.

Papa Leão XIV relembra a trégua olímpica e pede ações concretas pela paz

Durante sua oração semanal do Angelus, no Vaticano, o Papa Leão XIV destacou a importância da trégua olímpica como um símbolo de fraternidade e esperança para um mundo em paz. Ele enfatizou que grandes eventos esportivos como as Olimpíadas têm o poder de unir as nações e promover valores universais. O pontífice, que já criticou a política de imigração do governo de Donald Trump em outras ocasiões, fez um apelo direto às autoridades para que aproveitem a oportunidade dos Jogos para trabalhar ativamente pela redução de conflitos.

Tensões EUA-Cuba em foco: Papa pede diálogo sincero

Além de seu apelo pela paz nas Olimpíadas, o Papa Leão XIV também manifestou preocupação com as recentes tensões entre os Estados Unidos e Cuba. Ele pediu por um “diálogo sincero e efetivo” entre os dois países. Essa declaração surge após o governo de Donald Trump ter declarado emergência nacional em relação a Cuba, implementando medidas como a imposição de tarifas a países que fornecem petróleo à ilha. As acusações da Casa Branca citam supostos vínculos do governo cubano com nações consideradas hostis aos EUA, como Rússia, China e o Hamas, intensificando o cenário de instabilidade geopolítica.

Críticas de políticos italianos e a complexidade da segurança internacional

A presença do ICE nos Jogos de Milão-Cortina não se limitou às críticas do prefeito. Outros políticos italianos, incluindo membros da coalizão governista, também se manifestaram contra a participação da agência. Maurizio Lupi, líder do partido Noi Moderati, descreveu a situação como uma “completa idiotice”, embora tenha reconhecido a possível necessidade de coordenação entre órgãos de segurança italianos e estrangeiros. O partido de oposição Italia Viva, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, foi ainda mais longe, defendendo que os agentes do ICE deveriam ser impedidos de entrar na Itália, evidenciando a profunda divisão de opiniões sobre o assunto e a complexidade de equilibrar a segurança com a soberania nacional em eventos de grande porte.