Costa Rica Elegerá Novo Presidente em Meio a Disputa Ideológica e Aumento da Criminalidade
Os costarriquenhos vão às urnas neste domingo para eleger um novo presidente e 57 deputados. O pleito ocorre em um cenário de crescente preocupação com a segurança, impulsionada pelo aumento da atuação de grupos de narcotraficantes em um país tradicionalmente visto como um dos mais seguros da América Latina.
A candidata governista Laura Fernández, com cerca de 40% das intenções de voto, aposta em uma plataforma de combate rigoroso à criminalidade, inspirada nas políticas de El Salvador. Sua possível vitória acirra o debate sobre o rumo político da região, que tem visto um avanço da direita em diversos países nos últimos anos.
Apesar da liderança de Fernández, um terço do eleitorado permanece indeciso, refletindo um clima de apreensão entre os cidadãos. O temor não se restringe à segurança, mas também ao potencial retrocesso de conquistas sociais que marcaram a história da Costa Rica. As informações foram divulgadas por agências de notícias internacionais.
Laura Fernández Lidera com Promessa de “Mega Prisão” e Firmeza contra o Crime
Laura Fernández, 39 anos, cientista política e ex-ministra do atual governo, tem como principal bandeira de campanha a adoção de medidas drásticas contra o narcotráfico. Ela promete replicar o modelo de El Salvador, com a construção de uma “mega prisão” para abrigar membros de gangues e a implementação de estados de exceção, medidas que, embora populares para alguns, geram críticas de organizações de direitos humanos.
Fernández busca capitalizar a popularidade do presidente Rodrigo Chaves, conhecido por sua retórica combativa. Ela lidera as pesquisas com uma margem significativa sobre seu principal rival, o economista de centro-direita Álvaro Ramos. A candidata defende a necessidade de reformas constitucionais e judiciais para combater a criminalidade.
A campanha de Fernández tem sido associada a um alinhamento com políticas conservadoras, ecoando o discurso de figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Esse posicionamento pode consolidar a tendência de ascensão da direita na América Latina, que já observou vitórias em países como Chile, Bolívia, Peru e Honduras.
Costa Rica Enfrenta Desafios de Segurança e Alertas sobre “Transição Autoritária”
O país, conhecido por sua biodiversidade e por ser um destino turístico de destaque, tem visto sua imagem de tranquilidade abalada. Autoridades apontam que a Costa Rica deixou de ser apenas uma rota de drogas para se tornar um ponto de exportação, com a forte penetração de cartéis mexicanos e colombianos. O índice de homicídios alcançou patamares históricos durante o governo de Chaves.
Sociólogos e historiadores alertam para os riscos de uma “transição autoritária”. A socióloga Montserrat Sagot, da Universidade da Costa Rica, expressou à AFP o temor de que o país se transforme em um “narcoEstado e uma narcoeconomia”. O historiador Víctor Hugo Acuña também sinaliza um processo “incipiente” de autoritarismo, cuja evolução dependerá do resultado eleitoral.
Críticos acusam Fernández e o governo Chaves de populismo e de minar a democracia. A oposição teme que, caso eleita, Fernández siga o exemplo de El Salvador, com um acúmulo de poder que poderia levar a restrições às liberdades civis e ao enfraquecimento do Estado de bem-estar social, um dos orgulhos nacionais.
Eleitores Divididos entre Segurança e Preservação Democrática
Apesar dos desafios, a Costa Rica ainda é um país com instituições democráticas consolidadas. No entanto, o aumento da violência e a polarização política criam um ambiente de incerteza para os cerca de 3,7 milhões de eleitores convocados a votar. A pobreza, embora tenha apresentado leve queda, ainda afeta uma parcela significativa da população, e o país figura entre os mais desiguais da América Latina segundo o índice de Gini.
A disputa eleitoral deste domingo não definirá apenas o próximo presidente, mas também o futuro da democracia e das políticas sociais em um país que busca conciliar segurança com a preservação de seus valores democráticos e de bem-estar social. Os resultados preliminares deverão ser divulgados três horas após o fechamento das urnas.