A defesa de Andreson de Oliveira Gonçalves, lobista investigado por supostamente intermediar a venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), pretende levar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos. O objetivo é contestar a prisão de seu cliente, que enfrenta sérias complicações de saúde.

Andreson Gonçalves foi detido pela primeira vez em novembro de 2024. Posteriormente, em julho do ano passado, obteve prisão domiciliar por decisão de Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A transferência ocorreu após o lobista perder 30 quilos em um presídio federal, devido a problemas de saúde decorrentes de uma cirurgia bariátrica realizada em 2020, que afetam sua capacidade de absorver nutrientes.

No entanto, em novembro, Andreson teve sua prisão novamente decretada. A Polícia Federal (PF) alegou que ele teria simulado passar fome para conseguir a transferência para o domicílio. Desde então, o advogado Eugênio Pacelli tem solicitado ao ministro Zanin o retorno à prisão domiciliar, mas o pedido foi negado.

A defesa apresentou recursos que serão julgados pela Primeira Turma do STF em fevereiro. Caso a decisão de manter a prisão seja confirmada pelos ministros, Pacelli afirmou que pretende recorrer à Corte Interamericana. A defesa de Andreson alega não ter acesso a um laudo da PF que teria sido crucial para a revogação da prisão domiciliar e aguarda o julgamento dos recursos no STF.

Andreson Gonçalves é considerado a peça central da Operação Sisamnes.

Esta operação investiga supostas vendas e vazamentos de decisões judiciais. As suspeitas recaem tanto sobre funcionários de gabinetes de ministros do STJ quanto sobre magistrados de tribunais estaduais, indicando um esquema complexo de corrupção no judiciário.

Preocupações com a saúde e o processo legal.

A saúde debilitada do lobista é um ponto central na argumentação da defesa. A dificuldade em absorver nutrientes, somada à perda de peso expressiva, levanta questionamentos sobre a adequação da prisão em regime fechado. A defesa busca garantir que os direitos humanos de seu cliente sejam respeitados durante todo o processo.

A busca por justiça em cortes internacionais.

A decisão de recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos demonstra a gravidade com que a defesa enxerga a situação. A possibilidade de uma decisão em instância internacional pode influenciar o andamento do processo no Brasil e reforçar a importância da observância dos direitos fundamentais.

O futuro da Operação Sisamnes e seus desdobramentos.

Enquanto os recursos tramitam no STF e a defesa considera levar o caso a nível internacional, a Operação Sisamnes continua em curso. A investigação busca desvendar a extensão do esquema de venda de decisões e responsabilizar todos os envolvidos, o que pode ter implicações significativas para a confiança pública nas instituições judiciárias.