Novos documentos sobre o caso Epstein revelam trocas de mensagens elogiosas sobre Jair Bolsonaro com Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump.

Uma troca de e-mails atribuída a Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais e falecido em 2019, e Steve Bannon, ex-estrategista político de Donald Trump, trouxe à tona elogios direcionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As mensagens, divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, datam de outubro de 2018, período em que Bolsonaro disputava o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras.

Em uma das mensagens, Epstein descreve Bolsonaro como alguém que “mudou o jogo”, destacando a percepção de que o político brasileiro impedia a entrada de refugiados e agia de forma independente de orientações externas, como as de Bruxelas. O financista também mencionou a necessidade de Bolsonaro reativar a economia, considerando a situação “MASSIVO”.

Esses documentos foram incluídos em um lote de arquivos relacionados ao caso Epstein liberados na última sexta-feira (30). Além das menções a Bolsonaro, as comunicações também citam o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva em diálogos entre Epstein e o filósofo Noam Chomsky. A divulgação desses novos elementos adiciona uma camada complexa à investigação e aos desdobramentos do caso Epstein.

Bannon considera aconselhar Bolsonaro e discute estratégia política

Steve Bannon respondeu aos elogios de Epstein mencionando sua proximidade com o grupo político do então candidato Bolsonaro, chegando a questionar se deveria aceitar um convite para ser conselheiro. Epstein, por sua vez, fez uma analogia sobre a decisão, sugerindo um argumento do tipo “reinar no inferno”.

Na época, em outubro de 2018, Bolsonaro estava na disputa eleitoral contra Fernando Haddad. Ele obteve 49,2 milhões de votos no primeiro turno, o que o levou a um segundo turno, no qual saiu vitorioso. Bannon, em entrevista à BBC News Brasil, descreveu Bolsonaro como “líder”, “brilhante” e “sofisticado”, comparando-o a Donald Trump, embora tenha negado participação formal na campanha.

Epstein aconselha Bannon sobre encontro com Noam Chomsky e a relação com Bolsonaro

Em outra parte da troca de e-mails, Epstein relata que Noam Chomsky teria ligado para ele da prisão, acompanhado por Lula. Essa afirmação, contudo, foi negada tanto pela esposa de Chomsky, Valeria, quanto pelo Palácio do Planalto.

Bannon, aparentemente referindo-se a Bolsonaro, respondeu: “Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno”. Epstein concordou, afirmando que Bolsonaro “é de verdade” (em inglês, “the real deal”). A possibilidade de Bannon ir ao Brasil para apoiar Bolsonaro também foi discutida, com Epstein sugerindo que a presença dele poderia ser benéfica para sua “marca” se a vitória do candidato fosse certa.

Bolsonaro nega associação com Bannon após declarações do filho

Os documentos também revelam que Epstein expressou descontentamento com o fato de Bolsonaro ter classificado como “fake news” uma possível associação com Bannon. Naquele período, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, havia declarado à imprensa que Bannon estaria à disposição da família. Segundo a “Folha de S. Paulo”, Eduardo chegou a participar de um jantar de aniversário de Bannon em novembro de 2018.

Em resposta às declarações do filho e às especulações da imprensa, Jair Bolsonaro afirmou que a parceria não existia. Bannon comentou sobre a necessidade de manter “essa coisa do Jair nos bastidores”, indicando que seu poder derivava de não ter “ninguém para me defender”. Ele também mencionou ter ficado “impressionado” com a “dinâmica jovem” da campanha de Bolsonaro e ter oferecido conselhos, inclusive sobre segurança, temendo um atentado contra o ex-presidente.

Epstein orienta Bannon a ter cautela ao discutir Bolsonaro com Chomsky

Em um trecho distinto da conversa, Epstein aconselha Bannon a evitar o tema Bolsonaro durante um encontro facilitado por ele no Arizona com Noam Chomsky. O motivo seria a esposa de Chomsky, que é brasileira, e a amizade do casal com Lula.

Epstein teria alertado Bannon sobre os interesses de Chomsky, dizendo que ele “vai querer saber se você está do lado dos pequenos: corte de impostos, ataques à saúde pública e as ameaças bolsonaristas aos trabalhadores organizados”. O empresário se dispôs a facilitar o contato por e-mail entre os dois, para que pudessem coordenar a conversa diretamente.