EUA Intensificam Pressão Militar Contra o Irã, Explorando Vulnerabilidades na Defesa Iraniana
Sete meses após um conflito de 12 dias com Israel e os Estados Unidos, o regime iraniano demonstra sinais de fragilidade em seu arsenal militar. Analistas ouvidos pelo g1 apontam que essa vulnerabilidade representa uma “excelente” oportunidade para o presidente americano Donald Trump intensificar as exigências por negociações sobre o programa nuclear do Irã.
A escalada da pressão se manifesta com o envio de uma considerável força militar ao Oriente Médio, incluindo navios de guerra e jatos de combate. Essa demonstração de força visa pressionar Teerã a aceitar limitações em suas atividades nucleares, sob ameaça de ação militar.
Ainda que o desfecho das negociações seja incerto, a situação atual oferece aos Estados Unidos uma oportunidade estratégica significativa para agir contra o Irã. Conforme apontado por Ana Karolina Morais, pesquisadora da USP e do NUPRI, a conjuntura internacional, com a Rússia focada na Ucrânia e a deposição de Bashar al-Assad na Síria, favorece uma ação americana.
Fragilidades no Arsenal e Defesa Aérea Iraniana em Destaque
A capacidade do Irã de reparar os danos em seu arsenal após a guerra de 12 dias em 2025 é questionada por especialistas. Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, destaca que o país utilizou uma parcela significativa de seus mísseis no conflito anterior e teve dificuldades em repor o estoque devido às sanções internacionais.
“O Irã gastou muitos de seus mísseis contra Israel no ano passado e com certeza não tiveram condições de repor. Já a defesa aérea do Irã tem áreas descobertas e isso ficou claro nos bombardeios do ano passado. Dificilmente essas deficiências foram reparadas ao longo dos meses subsequentes aos bombardeios”, explicou Brustolin ao g1.
A defesa aérea iraniana, apesar de contar com sistemas como o S-300 de fabricação russa, demonstrou falhas durante os ataques de Israel. A destruição estimada de cerca de 40 sistemas S-300 e a dificuldade em reparos e reposição de peças, devido às sanções, agrava a situação.
Oportunidade Tática para os EUA e Possibilidade de Mudança de Regime
Analistas sugerem que Donald Trump pode estar considerando ações mais ousadas, incluindo a possibilidade de tentar depor o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, buscando instalar um governo alinhado aos interesses americanos. Essa estratégia, segundo o jornal “The New York Times”, tem sido discutida dentro do governo dos EUA.
Teerã, por sua vez, reitera sua prontidão para uma guerra, afirmando ter aumentado seus estoques de mísseis e drones e fortalecido suas defesas. Contudo, especialistas veem essas declarações com cautela, considerando a tendência do regime em projetar força, mesmo quando a realidade aponta o contrário.
A Força Militar Americana no Oriente Médio
A resposta americana a uma eventual agressão iraniana seria predominantemente aérea, com lançamento de mísseis e jatos a partir de navios de guerra e bases em países aliados. O envio do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln, composto por destrôieres armados com mísseis Tomahawk e aeronaves de guerra, reforça a capacidade ofensiva dos EUA na região.
A frota americana inclui também submarinos nucleares e diversas aeronaves estacionadas em 19 bases militares espalhadas pelo Oriente Médio, demonstrando um amplo alcance e capacidade de projeção de poder contra o Irã.
O Legado da Guerra de 2025 e o Impacto das Sanções
A guerra de 12 dias em 2025 entre Irã, Israel e EUA deixou um rastro de destruição e baixas em ambos os lados. O Irã sofreu com cerca de mil mortos e cinco mil feridos, além do bombardeio de três instalações nucleares. Estimativas indicam que Teerã utilizou entre 500 e 600 mísseis e mais de 1.000 drones no conflito.
A capacidade de reposição do arsenal iraniano é severamente limitada pelas sanções internacionais, que dificultam a aquisição de novos armamentos e a manutenção de sua indústria de defesa. Apesar da proficiência do Irã na produção de mísseis e drones avançados, a força aérea do país, composta por jatos antigos, sofre com a falta de peças, comprometendo sua prontidão.