Trump intensifica pressão sobre Cuba com ameaças de tarifas sobre o petróleo, aumentando o risco de uma crise humanitária sem precedentes na ilha.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que impõe tarifas adicionais a países que fornecem petróleo para Cuba. Essa medida visa estrangular ainda mais a economia cubana, que já enfrenta dificuldades.

A ação de Trump segue a recente intervenção dos EUA na Venezuela, que resultou na interrupção das remessas de petróleo venezuelano para Cuba. Agora, o foco se volta para o México, outro importante fornecedor de combustível para a ilha.

O governo cubano reagiu veementemente, acusando Trump de querer sufocar a economia da ilha e rotulando seu governo como “fascista, criminoso e genocida”. Trump, por sua vez, negou a intenção de estrangular Cuba, mas afirmou que “a ilha não conseguirá sobreviver” sem o fornecimento de petróleo.

Dados da empresa belga Kpler, divulgados pelo Financial Times, indicam que Cuba possui reservas de petróleo suficientes para apenas 15 a 20 dias, evidenciando a gravidade da situação.

Declaração de Emergência Nacional e o Argumento de Segurança dos EUA

A ordem executiva emitida por Trump declara estado de emergência nacional, argumentando que a situação em Cuba representa uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos”. Essa retórica, segundo o correspondente da BBC News, Will Grant, sugere que o fornecimento de energia da ilha agora é considerado uma questão de segurança nacional americana.

A medida busca dissuadir outras nações de comercializar petróleo com Cuba, sob a ameaça de tarifas mais altas. Essa ação faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump, que desde o início de seu mandato tem buscado enfraquecer o apoio econômico ao governo cubano, revertendo a política de abertura de seu antecessor, Barack Obama.

Dependência Cubana e o Papel Crucial do Petróleo Venezolano e Mexicano

Cuba é altamente dependente de importações de petróleo, necessitando de cerca de 110 mil barris por dia, enquanto produz apenas 40 mil. Durante o auge da aliança com a Venezuela, a ilha recebia aproximadamente 100 mil barris diários. Com a interrupção desse fornecimento, o México se tornou a principal esperança de Cuba, enviando cerca de 12 mil barris por dia em 2025.

O petróleo venezuelano não era apenas para consumo interno, mas também era revendido por Cuba para gerar divisas, algo crucial em meio ao embargo americano. A ameaça de tarifas sobre o petróleo mexicano, se concretizada, pode paralisar completamente os sistemas elétrico e de transporte da ilha, já fragilizados pela escassez.

Reação de Cuba e as Consequências Humanitárias

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou duramente a medida de Trump, classificando-a como uma tentativa de “estrangular a economia cubana” com base em “pretextos mentirosos”. O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, descreveu a ordem como uma “nova escalada dos EUA contra Cuba”, baseada em mentiras e chantagem.

As consequências da escassez de combustível já são sentidas pelos cubanos, com apagões de até 20 horas diárias, longas filas para obter gasolina e alimentos a preços exorbitantes. A interrupção total do fornecimento de combustível pode levar o país a “condições de vida extremas”, como admitiu o próprio ministro das Relações Exteriores.

A ilha já enfrenta uma grave recessão, com queda na produção industrial e agrícola, turismo em declínio e escassez de medicamentos. A situação é agravada por surtos de doenças e pela redução dos subsídios alimentares, configurando o que o presidente cubano descreve como “o acúmulo de distorções, adversidades, dificuldades e nossos próprios erros, exacerbados por um embargo externo extremamente agressivo”.

A Posição do México e a Incerteza do Futuro

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, defende que os embarques de petróleo para Cuba são motivados por razões humanitárias, visando garantir o funcionamento de serviços essenciais. No entanto, ela também expressou preocupação com a possibilidade de o México sofrer com novas tarifas e instruiu seu chanceler a dialogar com o governo dos EUA para entender o alcance da ordem executiva.

A incerteza paira sobre o futuro do fornecimento de petróleo mexicano para Cuba. Relatos indicam que o México já cancelou um carregamento planejado nesta semana, e a decisão final sobre futuras remessas caberá à estatal Pemex, em um cenário cada vez mais complexo e tenso nas relações entre os países envolvidos.