Botos no Amazonas se Tornam Predadores Ágeis na Pesca Esportiva, Capturando Peixes Soltos em Segundos
Um vídeo impressionante capturado no Rio Arirarrá, em Barcelos, no interior do Amazonas, está viralizando e gerando discussões sobre a interação entre pescadores esportivos e a fauna local. As imagens mostram um boto-cor-de-rosa atacando e capturando um peixe segundos após ele ser solto de volta ao rio.
O comportamento do animal, que parece aguardar ativamente a liberação do peixe para se alimentar, surpreendeu os presentes e levantou questões sobre a adaptação dos botos às práticas humanas. O registro, feito por drone, evidencia a rapidez e precisão do boto em sua caça.
Segundo relatos de pescadores experientes na região, como Maicon Bianchi, que atua há cerca de 30 anos na pesca esportiva, essa cena tem se tornado cada vez mais comum. Os botos, outrora vistos como animais mais pacíficos, agora parecem ter desenvolvido uma estratégia para se beneficiar da pesca esportiva. Essa mudança de comportamento, conforme divulgado pelo g1, tem sido observada principalmente em áreas onde os peixes são devolvidos à água.
A Evolução de um Predador: Botos Esperam Peixes Soltos
Maicon Bianchi relata que os botos passaram a seguir as embarcações de pesca esportiva com maior frequência. Eles parecem ter aprendido a identificar o momento em que os peixes são devolvidos ao rio e se posicionam estrategicamente para capturá-los. “Infelizmente, está virando rotina. A gente solta o peixe e, em questão de segundos, o boto aparece e pega exatamente aquele peixe”, comentou Bianchi.
O que mais chamou a atenção no episódio registrado foi a profundidade do local: apenas 30 a 40 centímetros. Isso demonstra a capacidade dos botos de se adaptarem a diferentes ambientes aquáticos e a audácia em se aproximar tanto das embarcações. O pescador explica que o peixe, após ser retirado da água, fica mais cansado e vulnerável, tornando-se um alvo fácil para os predadores.
Estratégias de Sobrevivência para os Peixes e Alertas aos Pescadores
Bianchi descreve cenas impressionantes de botos se escondendo atrás das canoas e até prendendo a respiração para garantir a captura do peixe recém-solto. Apesar da surpresa e do alerta que essa situação impõe, o pescador faz questão de ressaltar que não se trata de uma crítica ao animal, mas sim de uma observação sobre a **adaptação comportamental**. A pesca esportiva, que preza pela devolução dos peixes ao ambiente, parece ter influenciado essa nova dinâmica.
Para aumentar as chances de sobrevivência dos peixes devolvidos à natureza, Bianchi recomenda que a soltura seja feita em locais com mais cobertura, como áreas rasas com vegetação ou estruturas naturais. Esses refúgios oferecem melhores condições para que o peixe se recupere e se esconda de predadores como os botos. A observação desse fenômeno reforça a importância de se entender a ecologia local e como as atividades humanas podem impactar o comportamento da vida selvagem.