Torcedora do Avaí enfrenta processo judicial por falas racistas e xenófobas dirigidas à equipe do Remo

Uma torcedora do Avaí Futebol Clube foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por crimes de racismo e xenofobia. As acusações referem-se a ofensas proferidas contra jogadores do Clube do Remo durante partida válida pela 37ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B de 2025, realizada no estádio da Ressacada, em Florianópolis.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de vídeos que flagraram as manifestações preconceituosas. O MPSC, por meio da 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, considerou as falas como inaceitáveis discursos de ódio, que desqualificam a rivalidade esportiva.

Agora, a torcedora responde judicialmente pelo ato. O Ministério Público busca a condenação da mulher, com pedido de pena de reclusão entre 2 e 5 anos, além de uma indenização mínima de R$ 30 mil por dano moral coletivo, a ser destinada ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL). Conforme informação divulgada pelo MPSC, as ações foram motivadas por ataques relacionados à cor da pele e à origem regional dos atletas.

Detalhes das Acusações e Evidências

Segundo a denúncia, a torcedora teria se dirigido à equipe paraense com expressões que atentam contra a dignidade em razão da cor da pele, configurando o crime de racismo. Além disso, ela teria proferido ofensas que inferiorizam a população do Pará por sua origem regional, caracterizando o crime de xenofobia.

O Promotor de Justiça Jadel da Silva Júnior enfatizou que tais atitudes ultrapassam os limites da rivalidade esportiva, configurando discursos de ódio. As investigações contam com vídeos que circulam nas redes sociais, onde é possível ouvir a torcedora proferindo frases como “Olha a cor de vocês. Vocês são sujos”. Em outro momento, um torcedor do mesmo time também direcionou falas preconceituosas, dizendo “Voltem pra terra de vocês. Vai embora de jegue”.

Repúdio dos Clubes e Posicionamento Oficial

Tanto o Avaí Futebol Clube quanto o Clube do Remo emitiram notas oficiais repudiando veementemente o ocorrido. O Avaí destacou que “O racismo é um crime grave que não pode ser tolerado dentro ou fora dos estádios”.

O Clube do Remo, por sua vez, classificou o episódio como “Clara manifestação de racismo e intolerância, e não pode ficar impune”. Ambos os clubes se colocaram à disposição da Justiça para colaborar com as investigações e a apuração dos fatos, demonstrando compromisso no combate a qualquer forma de discriminação.

Avanço do Processo e Pedidos Judiciais

A Justiça acatou a denúncia do MPSC, tornando a torcedora ré no processo. O Ministério Público agora aguarda o desenrolar do processo judicial para que a condenação seja aplicada conforme os pedidos apresentados, visando coibir novas manifestações de preconceito no ambiente esportivo.

O caso serve como um alerta sobre a necessidade de conscientização e combate ao racismo e à xenofobia, especialmente em eventos esportivos, onde a paixão pelo time não deve se sobrepor ao respeito à dignidade humana e à diversidade.