Banco do Japão avalia impacto da inflação e do iene fraco em nova alta de juros

O Banco do Japão (BoJ) demonstrou em sua ata de dezembro a consideração sobre as crescentes pressões inflacionárias, impulsionadas em parte pela desvalorização do iene e pela escassez de mão de obra. Esses fatores foram apontados como influências fundamentais para a definição do momento de novos aumentos na taxa de juros.

As discussões revelaram uma disposição da diretoria em prosseguir com a elevação dos custos de empréstimos, que atualmente se encontram em patamares historicamente baixos. Essa postura se mantém mesmo após a decisão de dezembro de elevar a taxa básica para 0,75%, o maior valor em 30 anos, conforme divulgado na ata.

Os nove membros da diretoria concordaram que os futuros aumentos nas taxas de juros dependerão da materialização das condições econômicas e das previsões de inflação. Essa avaliação cuidadosa busca equilibrar a necessidade de conter a inflação com a manutenção da estabilidade econômica, conforme detalhado no documento.

Pressões inflacionárias e o papel do iene

Enquanto alguns membros da diretoria optaram por uma abordagem mais cautelosa em relação a futuros aumentos de juros, outros argumentaram que a inflação está se tornando mais persistente e arraigada. Essa percepção se baseia na observação de que as empresas estão repassando os aumentos salariais e os custos das matérias-primas para os preços finais.

A desvalorização do iene foi identificada como um fator que intensifica a pressão inflacionária, principalmente pelo encarecimento das importações. Em um cenário onde mais empresas estão elevando salários e preços ativamente, o impacto do iene fraco se torna mais pronunciado, segundo a avaliação de alguns membros. Essa dinâmica é um ponto de atenção para a política monetária japonesa.

“Embora a abordagem dos movimentos do mercado de câmbio não seja, por si só, o objetivo da política monetária, o Banco do Japão deve considerar o impacto da queda do iene sobre as taxas de inflação e, em alguns casos, sobre a inflação subjacente, ao decidir se deve aumentar a taxa de juros”, indicaram alguns membros na ata. Essa declaração reforça a importância do câmbio nas decisões futuras do BoJ.

Preocupação com o custo de vida e eleições

A fraqueza do iene tem sido uma fonte crescente de preocupação para as autoridades japonesas, pois afeta diretamente o poder de compra das famílias, elevando o custo de vida. Este tema ganhou ainda mais relevância em virtude das eleições gerais agendadas para 8 de fevereiro, onde o custo de vida é um ponto focal para os eleitores.

Após atingir níveis próximos a 160 ienes por dólar em janeiro, a moeda japonesa apresentou uma recuperação de até 3% nas últimas duas sessões, negociada em torno de 153. Essa valorização ocorreu em meio a especulações sobre possíveis verificações de taxas entre os EUA e o Japão, movimentos geralmente vistos como um prelúdio para intervenções oficiais no mercado cambial.

Taxa de juros do BoJ e projeções futuras

Um membro da diretoria apontou que a queda do iene e o aumento das taxas de juros de longo prazo são, em parte, reflexo de uma taxa de juros do Banco do Japão considerada muito baixa em relação à taxa de inflação. Essa perspectiva sugere a necessidade de um ajuste na política monetária para alinhar as taxas com as condições econômicas.

“Aumentar a taxa de política monetária em tempo hábil poderia conter a pressão inflacionária futura e manter as taxas de longo prazo baixas”, afirmou o membro citado na ata. Essa visão reforça a ideia de que uma ação proativa pode prevenir desequilíbrios econômicos mais severos no futuro.

Com o núcleo da inflação ao consumidor superando a meta de 2% do banco central por quase quatro anos, os mercados financeiros especulam que a pressão adicional sobre os preços, causada pela desvalorização do iene, possa levar a um novo aumento dos juros nos próximos meses. Analistas consultados pela Reuters projetam que o Banco do Japão possa esperar até julho para uma nova alta, com mais de 75% prevendo um aumento para 1% ou mais em setembro.