Chanceler do Irã desmente Donald Trump e afirma que Teerã não negociará com os EUA sob ameaças, em meio a escalada militar e de pressão do governo americano contra o regime Khamenei.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta quarta-feira (28) que o país não irá sentar-se à mesa de negociações com os Estados Unidos enquanto se sentir ameaçado. A declaração surge em resposta a afirmações do presidente americano, Donald Trump, que havia dito no dia anterior que o Irã desejava negociar e que já teria entrado em contato com os EUA “várias vezes”.

Araghchi refutou categoricamente as declarações de Trump, afirmando que não houve “nenhum contato” nos últimos dias com o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff. Ele enfatizou que o Irã não buscou negociações e que “não se pode falar em diálogo em um ambiente de ameaças”.

A fala do chanceler iraniano ocorre em um momento de crescente tensão entre os dois países. O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou ao Oriente Médio na segunda-feira, enviado pelos Estados Unidos para aumentar a pressão sobre o regime de Ali Khamenei. Donald Trump anunciou ainda que “outra bela armada” navega em direção à região, reforçando a presença militar americana no Oriente Médio.

Irã critica “diplomacia por ameaças” e exige fim das pressões

Em declarações transmitidas pela TV estatal, Abbas Araghchi foi enfático ao afirmar que “conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil”. Ele acrescentou que, se os Estados Unidos desejam que as negociações avancem, precisam “deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas”.

Trump afirma que mais navios de guerra estão a caminho do Irã

A declaração do chanceler iraniano ecoa a recente movimentação militar dos EUA. Na terça-feira (27), o presidente Donald Trump informou que um novo grupo de navios de guerra americanos estava a caminho do Irã. O objetivo declarado é pressionar Teerã a firmar um acordo que limite seu programa nuclear.

Porta-aviões USS Abraham Lincoln reforça presença militar na região

A chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln e dos navios que o acompanham ao Oriente Médio, divulgada pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) na segunda-feira, intensificou a presença militar americana na região. O grupo tem como missão, segundo o Centcom, impedir “ações desestabilizadoras e proteger interesses americanos”.

Irã confia em “próprias capacidades” e critica intervenção estrangeira

Diante da escalada de tensões e do aumento da pressão militar, o Irã reafirma sua confiança em seus próprios recursos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, criticou uma eventual intervenção estrangeira, declarando que o país confia “em suas próprias capacidades”.