Relatório Revela Falhas Críticas na Torre de Controle de Washington em Acidente Aéreo Fatal
Um trágico acidente aéreo em Washington, D.C., que ceifou a vida de 67 pessoas em janeiro do ano passado, foi resultado de uma **’infinidade de erros’**, conforme apontado pelo Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB). A colisão entre um avião comercial da American Airlines e um helicóptero Black Hawk do Exército americano sobre o rio Potomac é o desastre aéreo mais mortal dos EUA em duas décadas.
O jornal ‘The New York Times’ divulgou informações preliminares da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) que indicam que a equipe da torre de controle do Aeroporto Nacional Ronald Reagan operava sob **condições anormais** no momento da colisão. A investigação foca em falhas humanas e estruturais que podem ter contribuído para a tragédia.
As descobertas lançam luz sobre a **crise de falta de controladores de voo** nos EUA, um problema há muito tempo alertado pela FAA. A escassez de pessoal levou a uma sobrecarga de trabalho, aumentando o risco de erros em operações de alta complexidade como as de controle de tráfego aéreo.
Sobrecarga de Trabalho na Torre de Controle Foi Fator Crucial
Dados coletados pela FAA sugerem que a equipe da torre de controle do aeroporto onde o avião deveria pousar não operava em condições ideais para o horário e o volume de tráfego. Em especial, o controlador responsável pelos helicópteros nas proximidades do aeroporto também estava instruindo aeronaves em processo de pouso ou decolagem. Essa situação **aumentou significativamente a carga de trabalho** do profissional.
Segundo o ‘The New York Times’, as operações de controle de tráfego aéreo em aeroportos como o Reagan deveriam ser conduzidas por pelo menos dois controladores em momentos de alta demanda. A concentração de tarefas em um único profissional pode ter comprometido a capacidade de gerenciar as frequências de comunicação distintas para aviões e helicópteros.
A consequência dessa sobrecarga foi que os pilotos das duas aeronaves envolvidas na colisão podem **não ter se comunicado adequadamente** através da torre de controle, pois utilizavam frequências diferentes. A falta de coordenação e a possível falha na transmissão de informações críticas foram determinantes.
Crise de Pessoal na Torre de Controle é um Problema Crônico
A torre de controle do Aeroporto Ronald Reagan sofre com a **falta de pessoal há anos**. Relatórios recentes indicam que, enquanto a meta estabelecida pela FAA e pelos sindicatos é de 30 controladores no local, apenas 19 estavam certificados em setembro de 2023. Essa defasagem cria um ambiente de trabalho estressante e propenso a erros.
A escassez de controladores levou a medidas extremas, com alguns funcionários chegando a trabalhar **até 10 horas por dia, seis dias por semana**. Essa rotina exaustiva agrava a situação e aumenta o risco de falhas humanas em um ambiente que exige atenção e precisão constantes.
Detalhes da Tragédia e Comunicações Capturadas
O acidente ocorreu na noite de quarta-feira, 29 de janeiro, envolvendo um jato Bombardier CRJ700 da American Airlines e um helicóptero Black Hawk do Exército dos Estados Unidos, que realizava um voo de treinamento. Não houve sobreviventes. A explosão no ar aconteceu sobre o rio Potomac.
Áudios do controle de tráfego aéreo, obtidos pela Reuters e divulgados pelo LiveATC.net, capturaram os momentos finais. Comunicações entre a tripulação do helicóptero, com sinal de chamada PAT25, e a torre foram registradas. Pouco depois, outra aeronave questionou o controle: “Tower, você viu isso?”, referindo-se à colisão.
Controladores expressaram choque e descreveram a situação caótica. “Não sei se vocês ouviram o que aconteceu antes, mas houve uma colisão na aproximação para a 33. Vamos parar as operações por tempo indeterminado”, disse um deles. “Ambos o helicóptero e o avião caíram no rio”, relatou outro, confirmando a gravidade do desastre.